A palavra de ordem é acolhimento

Paulo César da Silva (*)

Estamos em recuperação de uma das maiores crises sanitárias experimentadas pela humanidade, a pandemia da covid-19.

Só o movimento coletivo, o reforçamento dos laços afetivos e humanos, a solidariedade, os esforços desenvolvidos e praticados tornaram isso possível. O que parecia cada dia mais distante, como sair para visitar a família, o encontro com amigos, abraçar o parceiro e tantas outras coisas voltou a ser normal. A virtualidade cedeu lugar à realidade em sua dimensão empírica.

Aprendemos a ficar perto, mesmo de longe, pois a proximidade derivada do afeto transformou essa conexão em realidade. Humanos, pedestres comuns da vida, simples, formaram grandes redes de ajudas mútuas, que ampararam e legitimaram o valor da participação solidária. Juntos sofremos, consolamos, vencemos e continuaremos, se é que, de fato, a grande lição foi aprendida. Certamente não foi a última crise sanitária que experimentamos nas proporções da pandemia.

Após dois anos com os distanciamentos sociais, diversas pessoas criaram expectativas sobre o retorno das atividades presenciais mesmo marcadas pela insegurança. Nas empresas, a sensação foi semelhante, o que aumentou a responsabilidade dos líderes em acolher os colaboradores com segurança. Um dos pontos de motivação é o grande avanço da vacinação no Brasil que alcançou mais de 160 milhões de pessoas.

Como o cenário de desafios apresentou-se de forma explícita, o valor da solidariedade aumentou e experimentamos a sensação de como somos mais fortes, quando estamos juntos, independentemente de origens étnicas, classes, tipologias físicas ou intelectuais. Em diversas áreas da sociedade foi possível acompanhar os resultados positivos da união, entre elas o surgimento das vacinas que contou com a colaboração de cientistas, pesquisadores, médicos, entre outros.

A humanidade sempre encontrará soluções ajustadas aos problemas, por mais complexos que sejam, pois o repertório cognitivo-racional é vasto. Descobrimos o valor da colaboração, da mutualidade, da cooperação, o que nos remete à necessidade de empenharmo-nos, na luta pela radical conquista de eliminarmos toda e qualquer forma de exclusão ou apartamento social.

Vamos precisar de todo mundo. Um mais um é sempre mais que dois e para melhor construir a vida nova é só repartir melhor o pão, já nos apontava Beto Guedes. Agora é agregar talentos e competências humanas para vencer desafios que, certamente, acontecerão. Juntos e em colaboração rumo à construção de um mundo e vida melhores para todos os seres, eis a missão.

(*) – É professor de psicologia na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio.

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