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El Niño aumenta atenção sobre manejo do café para a safra 2026/27

em Agronegócio
terça-feira, 08 de setembro de 2026

Após chuvas prejudicarem colheita e qualidade dos grãos, especialista alerta para irregularidade hídrica e temperaturas elevadas na próxima temporada

Depois de uma safra marcada por oscilações no mercado e por chuvas que dificultaram a colheita e a secagem dos grãos, a cafeicultura brasileira volta as atenções para a safra 2026/27. A possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade aumenta a preocupação com as condições climáticas, principalmente nas áreas de sequeiro, mais vulneráveis à irregularidade das precipitações e às temperaturas elevadas. Em um cenário de preços ainda atrativos, preservar o potencial produtivo e a qualidade do café ganha importância para o produtor.

Segundo o engenheiro agrônomo, mestre e doutor em fisiologia vegetal, professor, pesquisador e consultor Ricardo Teixeira, os preços do café vêm apresentando volatilidade, alternando períodos de alta e baixa, mas permanecem em níveis considerados atrativos ao cafeicultor. Para a atual temporada, a expectativa é de uma safra superior a 66 milhões de sacas de 60 kg, o que desloca parte da atenção para a capacidade de manter a qualidade do produto diante das condições climáticas que vêm se apresentando.

É o caso, por exemplo, das chuvas registradas em junho e julho, que já prejudicaram a colheita e a secagem, especialmente do café arábica produzido em Minas Gerais e São Paulo, com reflexos também sobre a qualidade da bebida. “Os preços ainda são considerados bons, mas com uma safra que aponta maiores preocupações relacionadas à qualidade do café do que propriamente à quantidade produzida. Para o mercado futuro de longo prazo, no entanto, ainda existem muitas incertezas”, avalia Teixeira.

O especialista reforça ainda que o clima está entre os fatores que mais ameaçam a produtividade do cafeeiro justamente por ser aquele sobre o qual o produtor tem menor capacidade de intervenção. Diferentemente da genética, dos tratos culturais e da nutrição, que podem ser planejados e manejados ao longo do ciclo, as condições climáticas exigem que a planta esteja preparada para enfrentar períodos de estresse durante todo o ano. “Hoje, entre os grandes fatores, as alterações climáticas representam aquele no qual temos a possibilidade de sofrer as maiores perdas e, ao mesmo tempo, temos menor capacidade de intervenção. Dessa forma, é necessário preparar as lavouras não apenas durante a florada, formação dos frutos ou enchimento dos grãos, mas ao longo dos 12 meses do ano”, explica.

Os preços ainda são considerados bons, mas com uma safra que aponta maiores preocupações relacionadas à qualidade do café do que propriamente à quantidade produzida. Para o mercado futuro de longo prazo, no entanto, ainda existem muitas incertezas.

El Niño coloca próxima safra no radar
Para a safra 2026/27, o comportamento climático passa a ser um dos principais pontos de atenção. A cafeicultura de sequeiro permanece especialmente vulnerável à má distribuição das chuvas. A irrigação reduz essa exposição, mas não elimina completamente os efeitos de condições climáticas adversas.

Caso se confirme um El Niño de forte intensidade, semelhante ao fenômeno observado entre 2023 e 2024, a expectativa é de maior pressão sobre a produção de café. Atualmente, a produtividade média brasileira está próxima de 30 sacas beneficiadas por hectare. “Se isso realmente acontecer de maneira mais intensa, podemos observar uma queda considerável de produtividade dos grãos em comparação à última safra”, afirma Teixeira.

O risco não está restrito à disponibilidade de água. Déficit hídrico, chuvas irregulares, temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar podem interferir em diferentes etapas do ciclo do cafeeiro, desde a florada e o pegamento das flores até a formação e o enchimento dos grãos. Segundo o especialista, a falta de água compromete a absorção e o transporte de nutrientes e reduz a capacidade da planta de produzir energia por meio da fotossíntese.

Já temperaturas muito elevadas podem levar ao fechamento dos estômatos por períodos mais prolongados, impactando a transpiração e dificultando a termorregulação do cafeeiro. “O fechamento desses estômatos reduz a capacidade da planta de transpirar. A diminuição da transpiração eleva a temperatura interna do cafeeiro, dificultando a formação de diversas substâncias diretamente relacionadas não apenas à produtividade, mas também às características que determinam a qualidade da bebida”, explica.

Café de qualidade: a importância da automação na cadeia produtiva | Jornal Empresas & Negócios