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As eleições e o endividamento no Brasil

em Artigos
sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Marco Antonio A. Panza (*)

Segundo dados oficiais da Serasa Experian o Brasil tem atualmente cerca de 84 milhões de pessoas negativadas, isso significa que 51% dos CPFs ativos estão com problemas relacionados as dívidas. Apesar do desemprego se sustentar na casa de 5%, número que se mantem entre os mais baixos desde que essa série começou a ser auferida em 2012, essa elevada taxa de ocupação entre empregos formais e informais que se complementam com atividades marginais e benefícios governamentais, a taxa de inflação aparentemente parece controlada dentro da meta do Conselho Monetário Nacional (4,5% ao ano). Entretanto, as pessoas estão com suas economias totalmente comprometidas com boletos vencidos e pagamentos de juros de empréstimos pessoais intermináveis, parte significativa desse movimento se deve desde os tempos da pandemia onde os auxílios emergenciais e criação de vários aplicativos bancários foram muletas e impulsionaram o endividamento da população, com destaque para o público de baixa renda e consequentemente de pouca informação e acesso aos produtos financeiros.

Quando viramos a chave e olhamos para as pessoas jurídicas (empresas), constatamos o mesmo cenário / problema, ou seja, a inadimplência atinge mais de 9 milhões de empresas no país e bate recorde, as dívidas em atraso atingem valores na casa de R$ 232 bilhões. Desse montante a maior parte das companhias fazem parte do segmento de micro e pequenas empresas. O levantamento feito pela Serasa Experian apontou que em junho desse ano, 8,6 milhões desses CNPJs estavam negativados. O grupo concentrou cerca 60 milhões de dívidas, que somaram R$ 201 bilhões.

Com a proximidade das eleições presidenciais pouco se vê até o momento, a preocupação dos candidatos com essa questão econômica social, onde milhões de brasileiros perdem o sono vendo seus parcos ganhos serem consumidos pelos juros exorbitantes das dívidas. Por outro lado, com a escassez de recursos, que são canalizados para pagamentos de empréstimos, a economia patina e o consumo não é estimulado. Qual o plano para conter a escalada da inadimplência? O programa desenrola parece ser pouco eficaz no sentido de atacar a raiz do problema, funcionando como um meio apenas paliativo. O fato é que urge mecanismos e adoção de práticas responsáveis de concessão de crédito e maior rigidez na rolagem e renegociação das dívidas. Também, o lado empresarial sofre com esse mesmo dilema, juros na estratosfera, poder de compra diminuindo e dívidas em ascensão.

Atualmente, o mercado cobra bastante o governo e os postulantes ao cargo de presidente da República sobre como estabilizar a dívida do próprio governo, que não deixa de ser uma outra importante questão, mas não dá a devida importância ao endividamento das famílias.

Uma economia não se sustenta sem gerar riqueza e promover um equilíbrio fiscal saudável e coerente em suas contas. A questão de estancar o endividamento e promover reformas que visam a sustentabilidade da sua população economicamente ativa deve ser questionada e tornar prioridade para os futuros governantes do nosso país.

(*) Economista, especializado em Finanças/Investimentos e Mercado de Capitais.

Superendividamento: um desafio jurídico e social | Jornal Empresas & Negócios