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Reforma Tributária é um avanço, mas a competitividade do Brasil depende de muito mais

em Artigos
quarta-feira, 22 de julho de 2026

Marcio Massao Shimomoto(*)

A Reforma Tributária representa uma das mudanças econômicas mais importantes das últimas décadas. Após anos de discussões, o Brasil inicia a transição para um novo modelo de tributação sobre o consumo, cuja principal promessa é simplificar um dos sistemas fiscais mais complexos do mundo.

Sem dúvida, trata-se de um avanço relevante. A redução da complexidade tributária tende a diminuir custos administrativos, aumentar a transparência e tornar mais eficiente a relação entre empresas e o Fisco. Mas existe uma questão que precisa ser enfrentada: simplificar os impostos será suficiente para tornar o Brasil mais competitivo?

Os movimentos do mercado mostram que não.

Enquanto o país implementa a reforma, cresce o número de empresas brasileiras que ampliam ou transferem parte de suas operações para o Paraguai. O motivo não está apenas na carga tributária, mas na busca por um ambiente de negócios mais favorável.

O país vizinho oferece estabilidade regulatória, menor burocracia, custos operacionais reduzidos e incentivos industriais por meio do Regime de Maquila, além de maior previsibilidade para investimentos. São fatores que influenciam diretamente as decisões empresariais.

Nenhuma empresa escolhe investir em outro país apenas porque um imposto é menor. Segurança jurídica, infraestrutura, logística, acesso ao crédito, custos trabalhistas, mão de obra qualificada e estabilidade regulatória também pesam nessa decisão. A tributação é apenas parte dessa equação.

Outro desafio será o longo período de transição da própria Reforma Tributária. Durante vários anos, empresas terão de conviver com regras antigas e novas, exigindo investimentos em tecnologia, revisão de processos, capacitação de equipes, adaptação dos sistemas e mudanças no planejamento financeiro. A simplificação prometida virá, mas sua implementação exigirá tempo e preparo.

Ao longo de mais de seis décadas acompanhando empresas de diferentes setores, aprendi que os maiores obstáculos à competitividade brasileira nunca estiveram concentrados apenas nos tributos. Na maioria das vezes, as dificuldades decorrem da combinação entre falta de planejamento, baixa produtividade, burocracia, insegurança jurídica e limitações na gestão.

Da mesma forma, empresas que atravessam décadas de atividade permanecem competitivas porque investem continuamente em governança, inovação, planejamento e capacidade de adaptação.

Por isso, a Reforma Tributária deve ser vista como o início de um processo, e não sua conclusão. Se o Brasil pretende ampliar sua competitividade, será necessário avançar também na redução da burocracia, no fortalecimento da segurança jurídica, na melhoria da infraestrutura, na ampliação do acesso ao crédito e na criação de condições que estimulem investimentos e ganhos de produtividade.

O sucesso da reforma não será medido apenas por um sistema tributário mais simples, mas pela capacidade do país de criar um ambiente onde produzir, investir, inovar e gerar empregos seja mais vantajoso do que buscar essas oportunidades em outros mercados.

A Reforma Tributária é um passo importante. Mas a competitividade do Brasil dependerá das próximas decisões que transformarão o ambiente de negócios em um verdadeiro diferencial para o crescimento econômico.

Marcio Massao Shimomoto é presidente da King Contabilidade e da JUCESP.