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Como uma empresa pode passar por uma mudança na diretoria executiva

em Espaço empresarial
quarta-feira, 17 de junho de 2026

Trocas após longos ciclos de liderança exigem estratégia, governança e comunicação estruturada

A rotatividade de CEOs têm ganhado força no cenário corporativo global. Em 2024, 1.991 executivos deixaram seus cargos nos Estados Unidos, segundo a Challenger, Gray & Christmas, no maior número desde 2002. No Brasil, o movimento também se intensifica: cerca de 35% das empresas do Ibovespa anunciaram trocas no comando ao longo de 2024, e a permanência média de um CEO no país gira em torno de quatro anos.

Nesse contexto, transições após longos períodos à frente das organizações se tornam ainda mais desafiadoras. O anúncio recente de mudanças na diretoria executiva da Apple, após anos de liderança consolidada, reforça como essas substituições exigem planejamento para garantir continuidade estratégica.

De acordo com a Triven – empresa especializada em serviços de backoffice e gestão de pessoas – mais do que uma simples troca de comando, a sucessão de um CEO envolve reputação, governança, cultura organizacional e expectativas de mercado. A forma como esse processo é conduzido pode influenciar diretamente a capacidade da empresa de se adaptar a novos cenários, especialmente em setores marcados por rápidas transformações tecnológicas.

Governança como base da transição
A governança corporativa é apontada como um dos principais pilares em processos de transição executiva, garantindo organização, redução de riscos e alinhamento estratégico. A experiência recente da Betha Sistemas, govtech especializada em soluções para gestão pública presente em 23 estados brasileiros, ilustra esse cenário. A companhia passou por uma mudança de CEO, com a chegada de Wellington Biagio.

Segundo Guilherme Balsini, presidente do conselho consultivo da Betha, transições executivas nesse nível exigem conduções estruturadas. “No nosso caso, o processo seguiu critérios previamente estabelecidos e foi liderado pelo conselho consultivo e societário, assegurando a continuidade dos negócios e o respeito à trajetória do gestor anterior”, relata.

Ainda de acordo com ele, a escolha do novo executivo envolveu um comitê formado por conselheiros independentes e sócios, reforçando a imparcialidade e a aderência às boas práticas de mercado. Ao mesmo tempo, a empresa adotou uma comunicação equilibrada, respeitando níveis de confidencialidade e mantém práticas estruturadas, com auditorias independentes realizadas por empresas reconhecidas internacionalmente (Big Four).

O planejamento estratégico também teve papel central, com a transição alinhada aos objetivos de longo prazo da empresa, especialmente em frentes como tecnologia e inteligência artificial. “Esse direcionamento contribui para garantir continuidade operacional e evitar rupturas na condução dos negócios”, complementa Balsini.

Boas práticas em transições executivas
Para a Triven, processos de sucessão exigem estrutura e alinhamento estratégico. A companhia destaca que mudanças mal planejadas podem impactar diretamente a operação e os resultados. “Transições bem estruturadas equilibram continuidade e renovação, evitando rupturas e mantendo a operação alinhada à estratégia”, afirma Maria Gabriela, sócia da vertical de People as a Service da Triven.

A gestão da informação é um dos pontos centrais, com a necessidade de preservar a confidencialidade para evitar ruídos internos. Outro fator relevante é a combinação entre a experiência de mercado do novo executivo e o conhecimento interno das equipes, favorecendo uma adaptação mais consistente.

Além disso, planejamento e comunicação estruturada são essenciais para evitar impactos nas operações. “Quando há clareza de processo e alinhamento estratégico, a transição deixa de ser um risco e passa a ser uma alavanca de crescimento”, reforça Maria Gabriela.

Nesse cenário, processos estruturados, definição de critérios e gestão adequada da informação permanecem como elementos recorrentes em transições de liderança no ambiente corporativo

Desenvolvimento de lideranças é peça-chave
Para Bruno Cortez, CEO da Elofy, plataforma de gestão de desempenho e jornada das pessoas colaboradoras integrante do ecossistema Zucchetti, mudanças na diretoria executiva exigem preparação contínua e não apenas ações pontuais no momento da transição. Segundo ele, empresas que estruturam processos de desenvolvimento de lideranças ao longo do tempo conseguem conduzir trocas de comando com mais estabilidade e alinhamento estratégico. “A sucessão precisa fazer parte da cultura da empresa. Quando o desenvolvimento de lideranças acontece de forma constante, a organização reduz riscos e ganha mais capacidade de adaptação em cenários de mudança”, afirma.

O executivo destaca que um dos principais desafios nesses processos está na transferência de conhecimento e na construção de ambientes com confiança e transparência. Para Cortez, lideranças que atuam de forma centralizadora tendem a dificultar a preparação de novos executivos, o que pode gerar rupturas e insegurança durante a transição. “Empresas que incentivam colaboração, troca de experiências e autonomia conseguem formar lideranças mais preparadas para assumir posições estratégicas sem comprometer a continuidade do negócio”, explica.

Além disso, o CEO da Elofy ressalta que a condução da mudança precisa equilibrar continuidade operacional e renovação de visão. Na avaliação dele, conselhos e lideranças têm papel fundamental em garantir clareza no processo, alinhamento entre as áreas e comunicação estruturada com equipes e mercado. “Uma transição bem conduzida fortalece a governança e pode abrir espaço para inovação e crescimento sustentável”, reforça.

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