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Reforma tributária deixa de ser pauta fiscal e entra na estratégia das empresas

em Mercado
quarta-feira, 17 de junho de 2026

Com a regulamentação avançando em 2026, empresários passam a revisar decisões financeiras, estrutura operacional e gestão de caixa

A reforma tributária deixou de ser uma discussão restrita ao jurídico e passou a ocupar a mesa de decisão financeira das empresas. Com a regulamentação da CBS e do IBS publicada pelo governo federal no fim de abril e a entrada da fase operacional da transição em 2026, companhias de diferentes portes começaram a revisar contratos, precificação, estrutura societária e fluxo de caixa diante de um novo modelo de tributação sobre consumo.

Para Márcio Lopes, CEO da Tributo Certo, ecossistema empresarial especializado em inteligência tributária, contabilidade estratégica e gestão empresarial, o movimento mostra que a reforma tributária já produz impacto prático antes mesmo da transição completa. “Muitos empresários ainda tratam a reforma como um evento futuro, mas a adaptação já começou. A empresa que continuar operando com a lógica tributária antiga corre o risco de errar na formação de preço, comprometer margem e perder competitividade.”

A publicação dos regulamentos marca uma etapa relevante da implementação do novo sistema, que substituirá gradualmente tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI por um modelo dual de IVA, composto pela CBS, de competência federal, e pelo IBS, de estados e municípios. Embora 2026 funcione como período de adaptação operacional, especialistas afirmam que o impacto estratégico já é imediato.

Segundo o Sebrae, os pequenos negócios representam 96% das empresas abertas no país em 2025, grupo que tende a sentir de forma mais intensa a necessidade de reorganização, especialmente pela limitação estrutural para acompanhar mudanças regulatórias complexas.

Rafael Rocha, cofundador e executivo comercial da Tributo Certo, afirma que a principal dificuldade está em interpretar a reforma apenas como alteração fiscal, ignorando seus reflexos operacionais. “A reforma tributária mexe diretamente na rotina financeira da empresa. Não estamos falando apenas de imposto, mas de contratos com fornecedores, política comercial, análise de crédito, repasse de custo e previsibilidade de caixa.”

Preço, contratos e caixa entram na revisão
Na prática, empresas já começaram a revisar contratos de fornecimento, acordos comerciais e modelos de precificação. Isso porque a nova lógica de créditos tributários e incidência no destino pode alterar significativamente a rentabilidade de operações que hoje parecem equilibradas.

Marcio afirma que a transição exigirá leitura mais sofisticada da estrutura financeira. “O empresário que conhece apenas o valor final do imposto, mas não entende como ele impacta a operação, pode tomar decisões equivocadas. Em muitos casos, o problema não estará no tributo em si, mas na incapacidade de reorganizar processos a tempo.”

O tema ganha relevância adicional porque o próprio governo estruturou 2026 como ano de adequação operacional, com exigência de adaptação documental e tecnológica para empresas sujeitas ao novo sistema. Isso inclui emissão de documentos fiscais eletrônicos com destaque dos novos tributos, ajustes sistêmicos e reconfiguração de processos internos.

Pequenas e médias empresas tendem a enfrentar maior pressão
Embora grandes companhias já tenham iniciado projetos internos de adaptação, pequenas e médias empresas ainda operam com menor previsibilidade tributária e financeira. Isso pode ampliar vulnerabilidades justamente em um período em que custo de capital, crédito e eficiência operacional seguem no centro das decisões empresariais.

Para Rafael, a reforma pode acelerar uma profissionalização forçada. “Historicamente, muitas empresas brasileiras cresceram com pouca governança tributária. A reforma tributária tende a expor esse desalinhamento porque exige controle, integração entre áreas e capacidade de simulação financeira.”

Empresas que conseguirem transformar a mudança regulatória em revisão estratégica podem encontrar oportunidades de ganho operacional, recuperação de eficiência e redução de distorções históricas.

Reforma tributária deixa de ser pauta técnica e entra na estratégia empresarial
A reforma tributária deve continuar dominando a agenda empresarial ao longo de 2026 à medida que novas regulamentações complementares avancem e a fase de testes pressione ajustes internos.

Para os especialistas, a diferença entre empresas que apenas reagem e aquelas que se antecipam estará na qualidade da gestão financeira e tributária. “Essa reforma tributária separa empresas que operam no improviso das que tomam decisões com inteligência financeira. O impacto não será igual para todos. Quem se prepara antes tende a absorver melhor a transição”, conclui Marcio Lopes.

Reforma Tributária necessária, urgente e perigosa – Jornal Empresas & Negócios