48 views 4 mins

Indústria farmacêutica convive com ineficiências mesmo em mercado de R$ 200 bilhões

em Negócios
sexta-feira, 24 de abril de 2026

A indústria farmacêutica brasileira opera sob pressão em um cenário de custos elevados, maior exigência regulatória e demanda mais volátil, o que expõe fragilidades no modelo baseado em previsões. Segundo o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos, o setor movimenta mais de R$ 200 bilhões ao ano no país, mas convive com ineficiências relevantes ao longo da cadeia. Já o Banco Central do Brasil aponta que, em 2026, o crédito segue mais restrito e seletivo, com juros ainda elevados, aumentando a pressão sobre margens e geração de caixa. Na prática, decisões operacionais baseadas em previsões seguem ampliando o risco de desequilíbrios entre produção e demanda.

Para Ricardo Borgatti, sócio-fundador da Borgatti Consulting, esse desalinhamento entre planejamento e realidade tem efeitos diretos nos indicadores financeiros e operacionais. “É muito comum a gente ver situações em que a empresa começa com excesso de estoque e falta. Porque o estoque tem valores altos, mas você vê que ele está desnivelado por causa de um conjunto de práticas e de um não entendimento da importância de questões como nivelamento de produção, alinhamento com a demanda, ritmo etc.”, afirma.

Esse modelo gera distorções nas fábricas, como excesso de produtos de baixo giro e falta de itens essenciais, além de oscilações na produção que dificultam o uso eficiente da capacidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física, mostram variações frequentes na produção industrial, refletindo um descompasso entre planejamento e demanda efetiva. Esse cenário eleva custos, aumenta desperdícios e compromete a previsibilidade de resultados em um setor altamente regulado e sensível a falhas de abastecimento.

A discussão sobre alternativas a esse modelo ganhou espaço na Conexão Farma 2026, onde a Borgatti Consulting abordou em seu estande o método Lean Demand Driven como uma forma de organizar as operações a partir da demanda real, com foco em estabilizar fluxos, reduzir estoques e melhorar o giro de caixa. A proposta integra gestão das operações, visão financeira e práticas de transformação enxuta aplicadas à indústria farmacêutica.

“A previsão é importante para a gente ter um acordo entre uma expectativa de venda futura. Não vai acertar no mês, mas quando a gente começa a observar com experiência, a visão de mercado, cada vez mais estudos, sistemas de projeção, no médio prazo, no ano… há um nível de assertividade um pouco maior, principalmente nos produtos de grande giro. Então, a questão não é apenas não abandonar o forecast.É você sair do papel do forecast, principalmente se não é a sua opinião daquela discussão mensal. O que vai produzir esse mês? Vai produzir o que o cliente consumir.”, conclui Ricardo Borgatti.

A previsão de custos potencializa a indústria farmacêutica – Jornal Empresas & Negócios