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Gemini resolve um mistério de séculos

em Tecnologia
terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O livro Crônica de Nuremberg é uma das obras mais importantes da história, e foi publicado em 1493 em Nuremberg, Alemanha.

Vivaldo José Breternitz (*)

Escrito em latim por Hartmann Schedel e originalmente intitulado Liber Chronicarum, é considerado uma das primeiras enciclopédias ilustradas do mundo.

Em uma das folhas de um exemplar da obra, existem anotações manuscritas – abreviações de palavras em latim e numerais romanos, cujo significado não era conhecido, ao contrário do texto impresso.

Recentemente, pesquisadores alimentaram o Gemini 3.0 Pro com imagens em alta resolução da Crônica e das anotações e solicitaram que a inteligência artificial tentasse descobrir o significado das anotações. A tarefa exigiu mais do que reconhecimento de caracteres: envolveu raciocínio sobre paleografia, cronologia e história.

O sistema concluiu que as anotações não eram marcas aleatórias ou ornamentos, mas que seu autor buscava determinar o ano de nascimento de Abraão, procurando conciliar diferentes escritos antigos e calendários.

O modelo conseguiu decifrar os termos latinos abreviados, interpretar numerais romanos e conectá-los a outras passagens da própria Crônica de Nuremberg.

Mais do que resolver um enigma de séculos, o feito se destaca porque o Gemini não apenas transcreveu ou supôs significados: produziu uma explicação estruturada sobre a lógica das anotações e sua relação com o conteúdo impresso, algo que antes dependia de especialistas, que frequentemente não chegavam a consensos.

O resultado evidencia como modelos de IA começam a ir além do reconhecimento de padrões, avançando para tarefas de raciocínio aplicado que combinam visão, linguagem e conhecimento histórico.

O desfecho aponta para um papel cada vez mais relevante da inteligência artificial em áreas como humanidades, pesquisa arquivística e análise histórica, onde vastos acervos visuais e textuais ainda permanecem pouco explorados e que podem abrir novos horizontes para o conhecimento da história.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].