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Desenvolver líderes de líderes: o desafio que RHs e CEOs não podem mais ignorar

em Destaques
quarta-feira, 18 de junho de 2025

40% das organizações estão direcionando seus programas de treinamento para o fortalecimento da cultura corporativa

Em um cenário marcado pela urgência de transformação digital e pela constante necessidade de inovação, formar líderes capazes de desenvolver outros líderes deixou de ser diferencial competitivo — virou requisito para a sustentabilidade dos negócios.

Segundo pesquisa da Harvard Business Publishing, feita com mais de mil profissionais de RH e desenvolvimento de liderança em 15 países, 70% dos respondentes consideram “importante” ou “muito importante” que os líderes dominem uma gama mais ampla de comportamentos para enfrentar os desafios atuais. A mesma pesquisa aponta que 40% das empresas estão redirecionando seus programas de liderança para fortalecer a cultura organizacional.

Para Antonio Muniz, especialista em negócios, CEO Advisor e autor do livro Smart Skills, essa tendência revela uma mudança de paradigma: “A complexidade dos negócios hoje exige líderes multifacetados, capazes de desenvolver times e não apenas entregar resultados individuais”.

Apesar disso, o levantamento mostra que apenas 53% classificam seus líderes como “muito eficazes” — e somente metade acredita que os recém-promovidos estão prontos para o novo cargo. O dado aponta um gap relevante entre o ideal da liderança moderna e a preparação real dos executivos.

Da competência técnica à multiplicação de talentos
Um dos principais obstáculos está na transição de profissionais técnicos para cargos de liderança. “Na tecnologia, frequentemente promovemos o melhor programador a líder, sem considerar se ele tem aptidão para desenvolver pessoas”, observa Muniz. Segundo ele, essa lógica precisa mudar. “O papel do líder é criar condições para que o time cresça — não ser o melhor tecnicamente.”

A mesma pesquisa mostra que a “escalabilidade” tornou-se o atributo mais valorizado em programas de liderança, com 60% das empresas planejando integrar inteligência artificial nesses treinamentos. A personalização dos conteúdos com uso de IA amplia o acesso ao desenvolvimento e democratiza o aprendizado.

Quatro mudanças de chave para formar líderes de líderes

  1. Medir o crescimento das pessoas, não apenas resultados
    A avaliação de performance precisa ir além da entrega técnica. “É necessário medir a capacidade do líder de desenvolver outros — não apenas o que ele entrega sozinho”, afirma Muniz. “O sucesso agora é coletivo.”
  2. Responsabilidades proporcionais à hierarquia
    À medida que se avança na hierarquia, a responsabilidade sobre o crescimento dos outros aumenta. “Na diretoria ou no C-level, formar líderes deve ser a prioridade. A execução direta deve ceder lugar à mentoria e ao desenvolvimento estratégico das equipes.”
  3. Reconhecer o impacto ampliado da liderança
    Cargos mais altos têm mais poder de impacto — positivo ou negativo. “Se você quer gerar mais impacto, é legítimo buscar cargos de liderança, mas essa ambição deve vir com o compromisso de formar novos líderes”, reforça Muniz.
  4. Comece hoje o que quer ser amanhã
    A liderança não começa com o cargo. “Mesmo um analista júnior pode desenvolver essa habilidade ao orientar estagiários. A vontade de formar líderes deve estar presente desde o início da carreira.”
    Um novo papel para o RH
    Para os profissionais de recursos humanos, o desafio é claro: revisar seus programas de liderança para contemplar a formação de líderes que formam líderes. Isso exige:
    • Reestruturação dos critérios de promoção, valorizando soft skills e capacidade de desenvolvimento humano
    • Inclusão de métricas de performance que considerem o crescimento da equipe
    • Programas de mentoria cruzada e aprendizado horizontal
    • Cultura organizacional que recompense quem desenvolve outros

“Estimular líderes de líderes é uma das maiores responsabilidades de quem deseja gerar resultados duradouros. Quando ajudamos pessoas a crescerem, elas multiplicam esse impacto — e é assim que negócios verdadeiramente escalam”, conclui Muniz.