520 views 8 mins

Investir nos EUA ainda é possível – e rentável

em Destaques
sexta-feira, 11 de julho de 2025

Ewerson Steigleder (*)

No dia 9 de julho de 2025, Trump anunciou tarifas de 50 % sobre todos os produtos importados do Brasil para os EUA. As tarifas entrarão em vigor em 1° de agosto. O real desvalorizou cerca de 2 % com o anúncio, o que pode compensar parcialmente o aumento dos preços no mercado americano.

Embora o impacto seja severo para produtos agrícolas como café, carne e suco de laranja (diminuindo as exportações para os EUA), os setores de serviços e colaboradores Brasil–EUA mantêm espaço para investimentos e empreendedorismo. Levando em consideração as tarifas anunciadas, é importante ressaltar algumas oportunidades ainda imunes a esta realidade, tais como:

  1. Engenheiros civis — construção, residências e investimentos imobiliários
    • A construção nos EUA segue com demanda alta — tanto em boom de habitação pós-pandemia como infraestrutura em expansão.

• Engenheiros civis brasileiros que atuem como consultores podem suprir a demanda por projetos sustentáveis, remodelações e custom homes, especialmente no sul e sudeste americano.

• Investir em imóveis (fix & flip ou aluguel) continua atrativo, especialmente em regiões com mercado aquecido como Florida, Texas e Carolinas. O impacto da tarifa é limitado nesse caso, pois o setor envolve pouco produto importado.

• O retorno oferecido na construção civil é consideravelmente alto.

Investimentos em construção, reforma ou mesmo compra e venda podem gerar resultados extremamente convidativos, e a médio prazo.

  1. Contadores e Controllers bilíngues
    • O crescimento de empresas brasileiras que expandem para os EUA — e vice versa — cria demanda por profissionais que dominem os dois sistemas contábeis (US GAAP e brasileiro/IFRS).

• Atividades de abertura de empresas, compliance fiscal-cross border, relatórios multinacionais e estratégias tributárias oferecem nicho promissor.

• O câmbio favorável fortalece competitividade de serviços remotos do Brasil para empresas americanas.

• O serviço de bookkeeping, pagamentos, controle financeiro, e mesmo a confecção de P&L e Balance Sheets é necessário e rentável. O domínio da língua e o conhecimento dos sistemas contábeis de ambos os países é um diferencial de altíssima qualidade.

  1. Profissionais de TI em todas as áreas
    • O setor de tecnologia mantém alta demanda — no desenvolvimento de software, cloud, cibersegurança, IA, fintech e health tech.

• Empresas americanas buscam talento global; trabalho remoto via P.L.C. ou offshore é viável.

• O custo mais baixo no Brasil, somado ao câmbio desfavorável, torna os profissionais brasileiros altamente competitivos.

• Há oportunidades também para startups: oferta de soluções SaaS e serviços tecnológicos para PMEs locais, sem depender de importação de produtos.

• As pessoas de uma forma geral ainda não sabem trabalhar usando a IA. Vem por aí automação 100% de veículos, servidores comerciais e domésticos robotizados, e a IA dominará o mercado de forma impactante, então quem dominar esta tecnologia também dominará os serviços.

  1. Profissionais multilíngues para importação/exportação
    • Apesar da tarifa, existe necessidade de intermediários entre EUA e Brasil/América Latina/Ásia. Fluência em português, espanhol, mandarim/cantonês e francês abre espaço.

• Atuação em empresas de comércio exterior, despachantes, consultorias de logística e compliance é extremamente demandada.

• A curva de aprendizado sobre leis aduaneiras, tratados como USMCA, MERCOSUL-UE e acordos com a Ásia ajuda a inserir esse profissional no mercado americano.

• Na verdade, não somente no mercado de importação e exportação, mas em diversas áreas, o diferencial de línguas ainda é valorizado. Para se ter ideia, até em setores que necessitam de balconistas, guias turísticos e outros, a busca por pessoas que dominem línguas é muito alta.

  1. Advogados especializados em direito internacional e imigratório
    • Com conhecimento do sistema jurídico dos dois países (mesmo com graduação nos EUA ou experiência nos EUA e Brasil), podem atuar em:
  2. Vistos (H 1B, L 1, EB 5), naturalização, green cards.
  3. Contratos comerciais bilaterais, joint ventures, arbitragem internacional.
  4. Resolução de disputas comerciais, incluindo questões tributárias, compliance e litígios transfronteiriços.

• A demanda por serviços jurídicos especializados segue estável, pois imigrantes e empresas continuam precisando de assessoria, independentemente de tarifas.

• Profissionais da área do Direito talvez tenham dificuldade para validar seus cursos nos EUA, mas são altamente necessários como para-legals, assistentes jurídicos, na formatação de contratos e documentação formal de uma forma geral.

  1. Produtos competitivos — e o efeito câmbio tarefado
    • Muitas exportações brasileiras estruturadas diretamente nos EUA (i.e., com estoque nos EUA) podem sobreviver ao aumento de preços, por exemplo:

o Calçados de média a alta qualidade, itens de moda, couro, e mobiliário leve, ainda podem encontrar nichos por conta do câmbio.

o Ainda que paguem 50 %, o real desvalorizado reduz o preço de aquisição, permitindo margem para reajustes menores no preço final.

o Caso a tarifa seja temporária ou haja negociação, empresas com estoques nos EUA se beneficiam de flexibilidade.

Ou seja, ainda que fotografado como choque econômico, o aumento das tarifas tem efeito limitado sobre:

• Serviços profissionais (engenharia, contabilidade, TI, tradução, assessoria legal), cujos custos fixos e expertise valorizam a oferta brasileira.

• Internacionalização de PMEs: através de modelos SaaS, consultorias e hubs de serviços remotos com gestão legal e fiscal.

• Exportações pontuais de produtos com estrutura local nos EUA, amortecendo o impacto tarifário.

Pontos para acompanhar:

  1. Câmbio do real (qualquer novo solavanco influencia ainda mais a competitividade).
  2. Ações bilaterais — eventual recíproca do Brasil sob sua “Lei da Reciprocidade”.
  3. Expectativas de negociações — tais tarifas fazem parte de uma ¬“pausa” de 90 dias que expira em 1° de agosto. Ajustes ou negociações poderiam suavizar o impacto.
    Recomendações para empreendedores brasileiros:

• Diferenciação por expertise: dominar normas dos EUA, contabilidade ou compliance.

• Entrada via serviços antes de produtos: uso de remoto e P.L.C. para construir reputação.

• Networking nos EUA: participação em feiras, webinars e incubadoras.
• Planejar operações de importação/exportação utilizando estoques locais.
• Monitoramento constante de políticas comerciais e câmbio.
• Domínio de línguas estrangeiras: é necessário fala muito bem inglês.