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Crise de oferta ainda assombra setor

Apesar de uma leve melhora nos números de novembro, a indústria automotiva pouco tem a comemorar sobre o ano de 2021. De acordo com a Anfavea, foram licenciados 173 mil autoveículos (automóveis e comerciais leves), alta de 6,5% em relação a outubro.
No acumulado dos 11 meses, foram 1,913 milhão de unidades vendidas, com perspectivas de fechar o ano com crescimento entre 6 e 10% em relação a 2020. No início do ano, as estimativas levavam a um avanço de 25%.
A crise, ressalta a entidade, é de oferta e não de demanda, por conta da falta de componentes que paralisam as linhas de produção, sobretudo os microchips ou semicondutores.

Importados também desaceleram

A crise dos semicondutores e de outros insumos é mundial. A Abeifa, associação que reúne 11 marcas importadoras de veículos, registra queda de -7% nas vendas até novembro. Nesse período foram emplacadas 23.257 unidades.
João Henrique Oliveira, presidente da entidade, tem expectativa de que, ao menos, haja renovação da lista de exceção aos produtos híbridos e elétricos, cujo imposto de importação é de 0% a 4%, e que vence em 31 de dezembro próximo.

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João Henrique Oliveira – Abeifa. Imagem: Abeifa

Veículos incompletos e 2022 incerto

Na produção, o mês de novembro teve queda de -13,5% em relação a outubro, mas no acumulado do ano, a indústria apresenta alta de 12,9%.
“Temos muitos veículos incompletos nos pátios das fábricas, à espera de componentes eletrônicos. Esperamos que eles possam ser completados neste mês, amenizando um pouco as filas de espera nessa virada de ano”, explica Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.
O ano de 2022 continua repleto de desafios, avalia Moraes. Alta da inflação, dos juros (o que compromete o crédito), das commodities (só aço ele cita alta de 100% desde a chegada da pandemia) e ainda sob impacto da falta de insumos (um problema global) são fatores que deixam as perspectivas em interrogação.

Fiat lança Fiorino atualizada

De olho no crescimento do e-commerce e com a entrada da nova legislação de emissões Proconve L7, a Fiat renovou o furgão Fiorino.
Entre as novidades, o motor Evo 1.4 flex de até 86 cv foi modificado para ficar mais eficiente. No desenho externo traz herança do Uno e por dentro mescla detalhes de acabamento da Strada, Mobi e Uno.
A única versão Endurance custa R$ 99.990. A Fiorino detém 92% do mercado de furgão pequeno e briga com furgões maiores, que custam quase o dobro.

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Fiat Fiorino. Imagem: Stellantis

Chineses pensam grande

Duas marcas chinesas avançam sobre o mercado brasileiro, pensando no longo prazo. A BYD, já conhecida pela venda de comerciais elétricos, como ônibus e caminhões, principalmente em parceria com prefeituras, anunciou que vai lançar ano que vem o Tan EV, SUV de 7 lugares, que promete autonomia de pouco mais de 400 km.
A aposta da BYD é alta: brigar com modelos elétricos de marcas já consagradas, como Porsche, Audi, Mercedes-Benz e BMW. O preço do Tan, que chega em janeiro, deve ficar próximo de R$ 500 mil.
A marca anunciou que abrirá em um ano 35 concessionárias, sendo uma delas do grupo Eurobike, que já tem em seu portfólio Audi, BMW, BMW Motos, Mini e Porsche.
A ideia não é só vender carros. A BYD oferece toda a solução para abastecimento com energia solar fotovoltaica.

Sinobrasileira

Outra chinesa, a Great Wall Motors, que comprou as instalações da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP), inicia produção local em 2023. Ela faz o caminho inverso de algumas asiáticas, que começaram com operações de importação para sentir o mercado e só então partiram para uma planta em solo brasileiro – caso de Toyota, Honda e Hyundai.
A marca deve iniciar a comercialização de SUVs e picapes importados em meados de 2022, para apenas depois iniciar a produção brasileira.
A ideia é transformar a fábrica do interior de São Paulo em uma de suas bases de produção de automóveis. Os modelos que serão fabricados aqui ainda não foram divulgados.
A fábrica terá capacidade de produzir 100 mil unidades por ano, cinco vezes mais do que a Mercedes-Benz, e expectativa de gerar 2 mil empregos.

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Mercedes Iracemápolis vendida a Great Wall. Imagem: Mercedes-Benz

(*) – é economista e jornalista especializada no setor automotivo. E-mail: [email protected]

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