Via Digital Motors

Lucia Camargo Nunes (*)

Indústria entre altos e baixos

A Anfavea, entidade que representa as montadoras, divulgou nesta quarta-feira (6), os dados de produção e vendas de setembro, que se mostram ligeiramente melhores do que os de agosto, ainda que naquele mês 11 fábricas tenham sido paralisadas total ou parcialmente.
O resultado entre autoveículos (leves) foi a fabricação de 173,3 mil unidades, 5,6% sobre agosto, mas suficiente para ter o pior setembro desde 2005.
Os pesados vivem outra realidade: os caminhões elevam os dados com alta de 104% no acumulado da produção sobre 2020 e melhores resultados desde 2018. Sempre puxados pelos segmentos do agronegócio, mineração e infraestrutura.

Ainda enfrentando desafios

Após o fechamento do mês de setembro e a um trimestre para encerrar o ano, a Anfavea reviu, novamente, as perspectivas de produção e vendas de veículos leves e pesados para 2021.
O que nenhum profeta poderia imaginar era que depois de um 2020 com tantos problemas em meio à pandemia, a recuperação de mercado enfrentaria tantos desafios. E diferentemente de outras crises, quando a queda de produção se deu por baixa demanda, desta vez o problema vem da oferta.
Entre os obstáculos que levaram a esse choque desde 2020 estão problemas logísticos com atrasos no frete, falta de contêineres e voos cancelados. Além disso, a falta de insumos – alumínio, borracha, pneu, embalagens e, principalmente, os semicondutores – ainda paralisam fábricas e interrompem por semanas a produção.

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Fábricas afetadas pela falta de pecas. Imagem: Volkswagen

Expectativas

O problema não é localizado, e sim global. Segundo um estudo divulgado pela Anfavea, o impacto pela falta de semicondutores deverá levar a uma perda de produção em 2021 estimada entre 7 e 9 milhões de unidades de veículos no mundo.
No Brasil, a cada mês, a entidade revisa suas expectativas. Desta vez, os executivos traçam dois cenários. Num mais realista, estima-se fechar o ano com a produção de 1,956 milhão de unidades de autoveículos, alta de 3% em relação a 2020. E numa visão mais otimista, com menos problemas neste último trimestre, poderiam fechar 2021 com 2,044 milhões de unidades (avanço de 7%).
Nas vendas, as estimativas giram entre 1,906 milhão (-2%, na visão realista) e as mais positivas seria de 1,980 milhão (alta de 1%).

Importados também impactados

Por não ser um problema apenas local a falta de oferta, as 11 importadoras representadas pela Abeifa também tiveram queda de vendas em setembro: -14,5% em relação a agosto, com 1.871 unidades e 19.795 no acumulado de janeiro a setembro.
“Nossas associadas não conseguiram atender à demanda potencial, por conta da falta de produtos em consequência do abastecimento instável de semicondutores. Infelizmente essa situação deve perdurar pelos próximos meses”, lamentou de João Henrique Oliveira, presidente da entidade.
Com forte impacto pela pressão do dólar e falta de insumos, além da inflação, a Abeifa reivindica com os órgãos federais a adequação do regime de importação e redução de alíquotas para veículos híbridos e elétricos.

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João Oliveira. Imagem: Abeifa

Ranking de vendas

De acordo com o balanço da Fenabrave (que representa as concessionárias), o Hyundai HB20 foi o carro mais vendido em setembro (7.147 unidades), seguido por Fiat Toro (6.852), Jeep Compass (6.823), Fiat Strada (5.772) e Volkswagen T-Cross (5.733).
Entre os importados pela Abeifa, destaque ao Volvo XC60 (459 unidades), Kia Bongo (293), Volvo XC40 (258), Porsche Macan (101) e Kia Sportage (99).

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HB20. Imagem: Hyundai

Mais um Porsche elétrico

A Porsche, aliás, que vem se destacando desde 2020 com modelos entre os importados mais vendidos, lançou na semana passada o Taycan Cross Turismo, o esportivo 100% elétrico.
Por R$ 685 mil, a versão off-road desse modelo que lembra uma sport wagon gera 280 kW de potência (380 cv) ou até 350 kW (476 cv) com a utilização dos recursos overboost e controle de largada.
O pacote design off-road opcional aumenta a altura livre do solo em até 30 mm, o que pode ser muito bom para rodar pelo sofrido asfalto brasileiro.
O preço inclui a instalação do carregador doméstico, em que a marca executa um projeto específico de acordo com condições específicas da residência do cliente.
Quem quiser ainda realizar o sonho de ter um Porsche na vida com aquele motorzão turbo a gasolina deve correr. Até 2025, metade dos carros da marca alemã produzidos serão híbridos ou totalmente elétricos.

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Porsche Taycan Cross Turismo.Imagem: Porsche

(*) – É economista e jornalista especializada no setor automotivo. E-mail: [email protected]

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