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A ofensiva da eletrificação

O Brasil pode até não estar preparado para absorver uma frota de veículos elétricos, mas algumas ações indicam que as empresas fazem deste 2021 um momento de ofensiva da eletrificação.
Além de diversos lançamentos de veículos, com venda e aluguel de modelos eletrificados, parcerias para instalação de eletropostos e wallbox facilitam a vida dos usuários.
Outro movimento crescente, é o interesse de empresas públicas e privadas investindo em frotas corporativas eletrificadas.

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PEUGEOT_EXPERT chega este ano. Imagem: Peugeot

Redução de ICMS

Nessa convergência, o governo de São Paulo anunciou a redução de ICMS de ônibus, caminhões e veículos elétricos e eletrificados de 18% para 14,5%, a partir de janeiro de 2022.
Adalberto Maluf, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), estima que os preços finais podem ter uma redução de 3,5%.
Pode até parecer pouco, mas para um carro de R$ 250 mil, o preço pode ser diminuído em R$ 8 mil, o suficiente para o proprietário adquirir um wallbox para carregamento mais rápido das baterias em sua casa ou escritório.

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Adalberto Maluf – presidente ABVE. Imagem: BYD

O salão do carro elétrico

Na semana passada, a Praça Charles Miller, no Pacaembu, sediou a 16ª edição do VE Latino Americano – Salão da Mobilidade Elétrica e Cidades Inteligentes, misto de feira de negócios, estandes de veículos, espaço de test drive e congresso.
Além da participação de um Tesla, a feira teve a primeira apresentação em público do Fiat e500 e do Peugeot e-208 GT, exposição do primeiro carro-forte elétrico do mundo, test drive do Nissan Leaf, lançamento de três motocicletas elétricas da marca Shineray e lançamento de uma nova marca de patinetes, a Davinci Micromobilidade, primeira fabricante desse tipo de veículo no Brasil.

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Fiat 500e. Imagem: Stellantis

Profusão de lançamentos

Não por acaso, a maioria dos recentes lançamentos no Brasil foi de veículos elétricos. Entre eles, novo Chevrolet Bolt EV, Mini Cooper S E, Fiat e500, Volvo XC40 Recharge, Peugeot e208 GT, novo Renault Zoe, JAC E-JS1, Audi RS e-tron GT e Volkswagen e-Delivery (caminhão leve) foram os mais recentes.
A Peugeot também anunciou para este ano a chegada da van elétrica e-Expert, tipo de veículo que é a aposta de muitos especialistas como solução last mile de empresas de entregas para os grandes centros urbanos.

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PEUGEOT e208GT. Imagem: Stellantis

Volks quer testar aceitação

Na terça (28), a Volkswagen anunciou que trará para Brasil e Argentina dois modelos 100% elétricos, o ID.3 e o ID.4. Eles não serão vendidos e servirão, por ora, para testar a aceitação do público. Os modelos serão exibidos em eventos e test drives.
Recentemente, o Brasil foi escolhido pela matriz para sediar o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Biocombustíveis para mercados emergentes.

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Volkswagen ID3 e ID4. Imagem: Volkswagen

Longa vida ao etanol

O etanol, aliás, está na mira de algumas montadoras. A Nissan, por exemplo, avança em nova fase do projeto junto com o Ipen, de um veículo movido a Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC), que gera energia elétrica a partir de bioetanol. Outros países utilizam hidrogênio líquido, o que requer rede de geração e distribuição bastante complexa.
No caso da Nissan do Brasil, o hidrogênio é gerado nas células a combustível a partir do etanol. Entre as vantagens está a dispensa das baterias e tudo o que elas trazem no pacote: peso, custo e horas de recarga.
Já a BMW do Brasil está desenvolvendo um projeto no qual adota o etanol para o modelo i3. O protótipo possui motor elétrico que é auxiliado por outro motor menor movido a etanol: em caso de ausência de rede elétrica, ele entra em ação para dar carga extra às baterias do i3, estendendo a autonomia em até 60 km. Nas versões vendidas hoje do i3, esse segundo motor é abastecido com gasolina.
Outra solução mais do que aprovada foi inovação mundial: a produção de um veículo híbrido flex, o Toyota Corolla e posteriormente o SUV Corolla Cross, ambos fabricados aqui e com excelente aceitação. Masahiro Inoue, CEO da Toyota Latam, acredita que cada região deve buscar sua forma de veículos mais eficientes, por isso não descarta o uso do etanol para a geração hidrogênio e energia.
Bosch e FCA também se manifestaram a favor das oportunidades do uso do biocombustível no desenvolvimento de soluções em eletrificação.

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Projeto da BMW utiliza etanol no i3. Imagem: BMW

Até tu, Rolls-Royce?

Como curiosidade, ontem, a Rolls-Royce, que faz parte do grupo BMW, anunciou seu primeiro automóvel 100% elétrico: o Spectre, aguardado para 2023. Em 2030, todos os modelos Rolls-Royce serão totalmente elétricos.

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Rolls-Royce. Imagem: RollsRoyce Spectre

(*) – É economista e jornalista especializada no setor automotivo. E-mail: [email protected]

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