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Lucia Camargo Nunes (*)

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Luiz Carlos Moraes. Imagem: Mercedes-Benz

Pior outubro dos últimos 5 anos

Com um outubro melhor que setembro nas vendas de veículos (4,7%), mas com um recuo de -24,5% quando comparado ao mesmo mês de 2020, a indústria automotiva mantém a preocupação em não atender à demanda no trimestre tradicionalmente mais aquecido do ano.
No balanço do mês passado, a Anfavea, que reúne as montadoras, aponta que este foi o pior outubro dos últimos cinco anos. “Os esforços das áreas de compras, logística e manufatura das montadoras merecem todos os elogios, mas infelizmente a demanda reprimida, somada ao tradicional aquecimento de fim de ano, poderá não ser atendida pela oferta”, afirmou o presidente da entidade, Luiz Carlos Moraes.
A produção de veículos leves e pesados avançou 2,6%, com ligeira queda (-1,7%) de caminhões como reflexo da falta de semicondutores.

Populares estão no passado

Questionado se entre as tendências do pós-pandemia o carro popular teria perdido espaço, Luiz Carlos Moraes pontuou que os carros evoluíram e por isso estão mais caros. “O carro que vendemos hoje não é mais aquele da década de 80. Temos muitas tecnologias regulatórias, de segurança e emissões, caminhamos para a eletrificação. Essas exigências têm impacto na configuração do veículo e vieram para ficar. Portanto essa figura do carro popular não existe mais. Esquece, isso é passado”, afirma.

Política industrial

O presidente da Anfavea disse ainda que vários setores têm interesse em nacionalizar microchips no Brasil e algumas conversas ocorrem entre entidades e governo. “Isso não será resolvido em 3 meses, é um planejamento de estado, com visão estratégica da indústria de transformação. Precisamos ter um ‘plano indústria’, pensando no impacto transversal, não só para atender à demanda do automotivo, mas também para celulares, eletrônicos, automação industrial, computadores e infraestrutura de comunicação, entre outros. Isso é o futuro. Precisamos pensar no futuro da indústria de transformação, nos próximos 10 a 15 anos, de ser menos dependente da Ásia para um item tão relevante para a transformação tecnológica do país”, avalia Moraes.

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Produção: Até indústria de caminhão é afetada pela falta de microchips. Imagem: Volvo

Novo ciclo de investimento

A Volkswagen anunciou que vai investir R$ 7 bilhões entre 2022 e 2026 no Brasil. Parte desse montante será direcionada a novos veículos nacionais e outra parte em digitalização e descarbonização.
Em produtos, o alvo inicial será o lançamento de uma família de carros compactos para o segmento de entrada a partir de 2023. O primeiro modelo é o Polo Track, baseado na plataforma MQB, com produção na fábrica de Taubaté (SP).
Também haverá investimento em uma nova geração do multimídia VW Play, que promete manter motoristas expandindo a conectividade para fora de seus veículos e ao mesmo tempo acrescentando novos itens e serviços.
Outra ofensiva é apostar fortemente no etanol no desenvolvimento da eletrificação. De acordo com a marca, os biocombustíveis, com um balanço positivo de CO2, podem ser uma ponte para a era da eletricidade. Entre os estudos, veículos híbridos e elétricos utilizando o etanol na geração de energia.

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Volks mostra Polo Track ainda sob penumbra: vem aí uma nova família de veículos de entrada. Imagem: Volkswagen

Mobitech nasce da união de duas gigantes

A Porto Seguro e a Cosan criaram uma joint venture para o projeto de serviços de mobilidade Mobitech. O primeiro fruto será um modelo de assinatura de veículos Carro Fácil, ampliando para gestão de frotas leves e pesadas, entre outras formas de acesso e utilização de meios de transporte.
“Porto e Cosan se unem para reinventar a relação das pessoas e das empresas com veículos e transformar a jornada de mobilidade dos clientes”, afirma Roberto Santos, CEO da Porto Seguro.
“Este é um ramo de negócio de alto potencial de inovação e disrupção que tem sinergia com o nosso portfólio. Cosan e Porto se complementam nos negócios e possuem valores alinhados. A Mobitech nasce, cresce e pensa de forma digital para entregar uma experiência diferente para nossos clientes e parceiros comerciais”, avalia Luis Henrique Guimarães, CEO da Cosan.
A diversificação dos negócios já aponta como tendência para a Porto, que além de seguradora, consórcio, locação e serviços financeiros, adquiriu há alguns meses 50% da ConectCar, que atua com tags de pedágios e estacionamentos. A Cosan, por sua vez, faz parcerias com startups voltadas à descarbonização.

(*) – É economista e jornalista especializada no setor automotivo. E-mail: [email protected]

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