Um difícil olhar sobre a liderança e a necessidade iminente de uma transformação digital

Muitas organizações chegaram naquele momento crítico em busca pela verdadeira transformação digital. Embora existam sinais motivadores daqueles que alcançam com sucesso o equilíbrio entre a transformação e a “manutenção das luzes acesas”, muitos sofrem com aquela liderança digital pouco inspiradora e o foco equivocado para atingir seus objetivos.

Daniela Gärtner (*)

A liderança sênior precisa mudar. Agora, mais do que nunca, é o momento das organizações deixarem de lado o desconforto em relação à incerteza e tomar medidas corajosas e decisivas para avançar na transformação digital. Embora os profissionais mais experientes tenham um certo receio com a tecnologia em si, é hora deles perderem o medo e a enxergarem como uma aliada, pois manterem-se inertes às mudanças digitais pode representar riscos fatais às organizações.

Todos devemos reconhecer que a transformação digital bem-sucedida depende de uma liderança forte e fluida. A falta de confiança expõe uma desconexão significativa entre o que os líderes estão planejando para o futuro dos negócios, e como realmente chegarão lá. Existe uma falta de clareza em relação aos objetivos a médio e longo prazo e o que eles farão para atingir os objetivos traçados.

Convencer um CEO a fazer seu trabalho de maneira diferente pode ser uma tarefa assustadora. A autorreflexão é uma qualidade difícil de encontrar, por isso é importante comunicar a eles que eles têm uma obrigação para com seu pessoal. Uma mudança na mentalidade do líder tem o potencial de transformar o comportamento da organização, influenciar sua cultura, mudar suas prioridades e transformar essas promessas superficiais em uma realidade tangível.

Infelizmente, a dura verdade é que muitos CEO’s estão mais preocupados em “manter as luzes acesas” e ver a transformação como algo para se preocupar mais tarde. Mas aqueles que estão mudando essa mentalidade colhem as recompensas. Manter as luzes acesas não é fácil neste período tumultuado e, embora seja compreensível que os líderes estejam focados em sobrevivência, eles também estão buscando isso as custas de uma transformação.

É importante perceber que essas mudanças são adicionais, não derivadas de algum grande plano digital que requer uma transformação instantânea e radical. O digital está em constante evolução e isso ajuda as organizações a criar uma certa resiliência. Mas todos os ciclos de aprendizado, adaptação e experimentação são necessários para o progresso. Dominar esse ciclo vicioso, com o tempo, proporcionará uma transformação sustentável e ideias inovadoras serão descobertas.

Para as organizações que lutam pela transformação digital é fundamental colocar o foco em mudanças comportamentais significativas. Aqueles que estão acertando na transformação tratam o digital como uma maneira eterna de trabalhar, e a enxergam como um estilo de vida. Assim esse conceito se torna fortemente incorporado à cultura.

Cabe ao RH fomentar esse comportamento para que todos compreendam que o mundo digital é um caminho sem volta e entendam seus benefícios, que vem para automatizar, atingir clientes mais distantes, tirar o trabalho repetitivo dos funcionários, melhorar processos, fazer o que realmente importa.

(*) É Sr Human Resources Director LATAM da NTT Brasil.

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