
Donald Trump anunciou em publicação nas redes sociais, que permitirá à Nvidia vender suas unidades de processamento gráfico (GPUs) H200 para “clientes aprovados na China”. A decisão reverte uma decisão anterior que proibia o envio do produto ao país asiático.
Vivaldo José Breternitz (*)
Segundo Trump, o presidente chinês Xi Jinping “gostou da ideia”, que vai “apoiar empregos americanos, fortalecer a indústria nacional e beneficiar os contribuintes”. O H200 é um chip de geração anterior ao mais avançado da empresa, o Blackwell, considerado um dos processadores de inteligência artificial mais poderosos do mercado; Trump destacou que a venda do Blackwell à China segue proibida.
A liberação deve render fortunas à Nvidia, hoje a empresa mais valiosa do mundo. Em novembro, a fabricante informou ter uma fila de pedidos que ultrapassa US$ 500 bilhões para seus chips de última geração, sem incluir os de compradores chineses.
Trump também disse que concorrentes da Nvidia como AMD e Intel poderão vender produtos semelhantes a determinados clientes na China. O Departamento de Comércio americano está finalizando os detalhes das novas regras, que ainda devem manter restrições a algumas entidades chinesas.
A decisão encerra parcialmente um bloqueio de anos à exportação de processadores avançados para Pequim. O fator financeiro parece ter pesado: Trump anunciou que o governo americano ficará com 25% do valor de cada venda.
Ainda não está claro qual será a demanda chinesa. No início do ano, o governo Biden havia autorizado a venda à China do chip H20, versão menos potente do H200, mas Trump suspendeu as vendas logo após retornar à Casa Branca.
A Nvidia acredita que haverá interesse de clientes chineses; em comunicado, a empresa disse “aplaudir a decisão do presidente Trump” e afirmou que oferecer o H200 a clientes comerciais aprovados “atende aos interesses americanos”.
O tema, porém, enfrenta resistência no Congresso. Parlamentares de ambos os partidos alertam para riscos à segurança nacional. Senadores como Pete Ricketts (republicano) e Chris Coons (democrata) estão propondo o “SAFE Chips Act”, norma que busca restringir exportações de chips avançados para China, Rússia, Irã e Coreia do Norte por 30 meses.
Apesar das críticas, Trump parece determinado, afinal, “business is business”…
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


