447 views 3 mins

Táxis autônomos da Tesla têm índice de acidentes 4x maior que o de motoristas humanos

em Tecnologia
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Diz-se que veículos autônomos são mais seguros do que aqueles dirigidos por motoristas humanos.

Vivaldo José Breternitz (*)

Mas novos dados sugerem que essa afirmação pode não se sustentar. Segundo informações referentes a investigações conduzidas pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), divulgadas pelo site Electrek, a Tesla reportou cinco novos acidentes envolvendo sua frota de robotaxis em Austin, Texas.

Os incidentes ocorreram entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, todos com veículos Tesla Model Y operando em modo autônomo. Entre os casos registrados estão a colisão com um objeto fixo com o veículo rodando a 27 km/h, batidas em um ônibus parado e em um caminhão a baixa velocidade, além de dois casos em que carros deram ré e atingiram objetos fixos.

No total, a Tesla já comunicou 14 acidentes desde o início da operação dos robotaxis em Austin, em junho de 2025. Como esses carros rodaram cerca de 1,3 milhão de quilômetros, isso equivale a um acidente a cada 92 mil quilômetros.

Por outro lado, os próprios números da Tesla indicam que o motorista médio nos EUA sofre um acidente leve a cada 368 mil quilômetros e uma colisão grave a cada 1,1 milhão de quilômetros. Ou seja, a taxa de acidentes da frota autônoma da Tesla seria cerca de quatro vezes maior do que a média nacional.

Outro ponto a ser observado é a falta de transparência da Tesla. Diferente de concorrentes como Waymo e Zoox, a Tesla optou por não apresentar relatos detalhados dos acidentes, alegando “informações comerciais confidenciais”. Além disso, o registro de um acidente inicialmente classificado como tendo causado “apenas danos materiais”, foi posteriormente retificado, indicando que houve necessidade de atendimento médico.

A Tesla não é a única sob investigação. A NHTSA abriu recentemente uma apuração sobre um incidente em que um robotaxi da Waymo atropelou uma criança perto de uma escola em Santa Monica. A agência quer avaliar se a empresa agiu com a devida cautela em um ambiente com pedestres vulneráveis.

Esse cenário mostra que, apesar da narrativa de segurança, os carros autônomos ainda enfrentam sérias dúvidas em termos de confiabilidade. O discurso de inovação convive com números que reforçam a necessidade de maior transparência e regulação.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].