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Startup aposta em ondas sonoras contra incêndios

em Tecnologia
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

A Sonic Fire Tech, startup fundada pelo engenheiro aeroespacial Geoff Bruder, desenvolveu um sistema capaz de apagar incêndios usando infrassom, ondas sonoras de baixa frequência inaudíveis pelo ouvido humano.

Vivaldo José Breternitz (*)

Bruder diz que o sistema atua sobre as moléculas de oxigênio que alimentam as chamas; sensores detectam calor ou chamas e acionam automaticamente o sistema, que cria um campo de infrassom que afasta o oxigênio, extinguindo as chamas. A ideia interessa especialmente para a proteção de construções que possam ser afetadas por incêndios florestais.

O conceito não é totalmente novo. A agência DARPA, ligada ao Departamento de Defesa dos EUA, estudou o uso de som para controlar fogo entre 2008 e 2011, e universidades chegaram a criar protótipos experimentais. O diferencial da Sonic Fire Tech está na frequência utilizada: abaixo de 20 hertz, capaz de percorrer maiores distâncias sem distorção e sem afetar pessoas ou estruturas.

Numa primeira fase, a ideia é que o sistema seja instalado nas edificações que se deseja proteger; tão logo sensores detectem calor ou chamas, ondas sonoras passam a ser emitidas por dutos metálicos instalados sob o telhado e beirais dos edifícios. Testes já mostraram eficácia a até 7,5 metros de distância.

Especialistas reconhecem o potencial do sistema, mas alertam para os desafios. “A influência acústica sobre chamas é bem conhecida”, afirma Albert Simeoni, do Worcester Polytechnic Institute. Ele ressalta, porém, que ampliar a escala da tecnologia exige controle preciso para evitar efeitos vibracionais indesejados. Outros pesquisadores lembram que o método é eficiente em pequenos fogos, enquanto incêndios florestais geram fluxos de calor complexos.

Mesmo assim, a possibilidade de proteger estruturas contra incêndios, atrai a atenção. A Sonic Fire Tech já firmou parceria com duas empresas da Califórnia e prevê cerca de 50 instalações-piloto até o início de 2026.
Se os testes forem bem-sucedidos, o infrassom poderá se juntar a drones, sistemas de detecção por inteligência artificial e outras ferramentas emergentes no arsenal tecnológico usado contra incêndios florestais.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].