
O australiano Rodney Brooks foi professor e diretor do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência da Computação do MIT e é considerado um dos maiores especialistas em robótica de todo o mundo.
Vivaldo José Breternitz (*)
Recentemente, Brooks alertou os investidores que estão despejando bilhões em startups voltadas aos robôs humanoides, dizendo a eles: “vocês estão desperdiçando dinheiro”.
Brooks é particularmente cético em relação a empresas como a Tesla e a Figure, que buscam ensinar treinar robôs usando técnicas de aprendizado de máquina, mostrando a eles vídeos de humanos executando tarefas diversas; ele classifica essa abordagem como “pura fantasia”.
O motivo? As mãos humanas são extremamente sofisticadas, com cerca de 17 mil receptores táteis especializados, algo que nenhum robô chega perto de igualar. Apesar de o aprendizado de máquina ter revolucionado o reconhecimento de voz e imagem, isso foi apoiado por décadas de tecnologia já existente para captura de dados. “Não temos essa tradição quando se trata de dados táteis”, diz Brooks.
Brooks prevê que em 15 anos, farão sucesso os robôs com rodas, múltiplos braços, sensores especializados e que não terão o formato humano. Para ele, os bilhões investidos hoje estão apenas financiando experimentos caros de treinamento que jamais levarão à produção em escala industrial.
Vale lembrar que os investimentos chineses em robôs humanoides também têm sido extremamente altos.
Não é a primeira vez que Brooks joga água fria nas expectativas de empreendedores ousados e investidores entusiasmados. No ano passado, em entrevista ao portal TechCrunch, ele afirmou que a promessa da inteligência artificial generativa supera suas reais capacidades e pode até aumentar a carga de trabalho em alguns casos.
Brooks também rejeita a ideia de que a robótica e a inteligência artificial sejam gravíssimas ameaças à sociedade, embora em algumas situações sejam tecnologias muito perigosas.
Parece que temos alguém muito qualificado que não aderiu ao “estouro da boiada” …
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




