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Sam Altman diz que IA não reduzirá as jornadas de trabalho

em Tecnologia
segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Desde que a inteligência artificial chegou às organizações, duas situações se tornaram comuns: o medo do desemprego e a esperança de que a automação nos dê mais tempo livre.

Vivaldo José Breternitz (*)

Mas Sam Altman, CEO da OpenAI, tratou de jogar um balde de água fria nessa segunda ideia, ao dizer ao podcast Relentless: “nunca enxergamos a promessa da semana de quatro dias em larga escala. E não acredito que a IA mude isso.

Altman foi além ao dizer que no futuro estaremos ainda mais ocupados do que imaginávamos: “seguiremos reclamando, mas em segredo seremos felizes”, ironizou. Em outras palavras, a IA não vai nos dar mais folga, vai nos dar mais trabalho.

Um estudo publicado pela Harvard Business Review confirma essa visão. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, acompanharam por oito meses cerca de 200 funcionários de uma empresa de tecnologia nos EUA após a adoção da IA generativa. O resultado foi inesperado: os trabalhadores aceleraram o ritmo, assumiram mais responsabilidades e estenderam a jornada, muitas vezes por iniciativa própria.

O relatório dos pesquisadores alerta que esse “milagre da produtividade” pode sair caro: mais carga de trabalho, fadiga cognitiva, esgotamento e decisões piores. Em resumo, a IA está nos tornando superprodutivos, mas também supercansados.

Além disso, os limites entre trabalho e descanso ficaram menos claros. Funcionários passaram a encaixar pequenas tarefas em momentos antes reservados ao lazer, como durante o almoço, em reuniões e até quando esperam um arquivo carregar, gerando menos pausas naturais e mais horas extras involuntárias.

E como se não bastasse, muitos sentiram que tinham na IA um “parceiro digital” para assumir mais responsabilidades, incentivando o multitasking: múltiplas tarefas em andamento, atenção fragmentada e a sensação de estar fazendo malabarismos constantemente.

Em resumo: a IA não está nos dando mais tempo livre, mas sim mais trabalho. A semana de quatro dias continua sendo um sonho distante. E, convenhamos, se até as máquinas estão ocupadas 24/7, quem somos nós para pensar em folgas?

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].