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Rússia segue os passos do Irã e ataca data centers ucranianos

em Tecnologia
terça-feira, 06 de outubro de 2026

A Rússia parece estar seguindo os passos do Irã, passando a atacar data centers: um drone russo atingiu um centro empresarial em Kiev, matando quatro pessoas e danificando um data center, que segundo Moscou era o alvo do ataque.

Vivaldo José Breternitz (*)

O data center pertence à empresa ucraniana de telecomunicações Datagroup, que afirmou não haver vítimas entre seus funcionários e que os dados dos clientes permanecem seguros. Os serviços continuaram a operar a partir de instalações de backup, enquanto técnicos trabalhavam na restauração da infraestrutura afetada.

“Tudo isso afeta a capacidade das pessoas de se manterem conectadas, estudar e trabalhar”, disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em uma rede social. Ele acrescentou: “Os russos estão constantemente ampliando seus alvos: empresas americanas e de outros países, centros de dados, provedores de internet etc.; para a Rússia, tudo é simplesmente um alvo. É importante que o mundo responda a isso e que a Rússia sinta a resposta ao seu terror”.

O Ministério da Defesa russo confirmou o ataque, alegando que o data center processava e transmitia informações de inteligência para as forças armadas da Ucrânia. Moscou também afirmou ter atingido instalações de empresas como New Telco, United DC, Kyivstar e Parkovyi ao longo da semana.

Segundo autoridades ucranianas, cerca de 100 mil residências em Kiev e na região metropolitana enfrentaram problemas de acesso à internet após outro ataque, que danificou infraestrutura dos provedores Pavutyna e UTELS.

Segundo a BBC, algumas empresas já começaram a transferir dados para instalações fora da Ucrânia, como forma de protegê-los dos bombardeios.

A perda de conectividade em uma zona de guerra vai muito além da impossibilidade de usar regularmente a internet. O chanceler ucraniano Andrii Sybiha destacou que os ataques prejudicaram o acesso a alertas de ataques aéreos e a serviços como bancos, pagamentos online, negócios e serviços públicos.

Há, contudo, algum alívio: o governo ucraniano informou que não há indícios de danos sérios às comunicações militares, ressaltando que a rede ucraniana é extensa e distribuída, o que torna improvável um apagão total da internet, embora os custos de reparos possam elevar as tarifas para os clientes.

Centros de dados vêm se tornando alvos frequentes em conflitos: no início de setembro, ataques iranianos contra a infraestrutura da Amazon no Oriente Médio deixaram a empresa incapaz de recuperar recursos e dados hospedados no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos.

No caso da Ucrânia, as estruturas de backup da Datagroup parecem ter evitado um desastre de grande porte.
Como temos dito, segurança cibernética vem se tornando cada vez mais importante.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].