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Robotização: Amazon pode eliminar mais de meio milhão de empregos

em Tecnologia
quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Segundo o New York Times, a Amazone vem trabalhando para substituir centenas de milhares de empregados por robôs.

Vivaldo José Breternitz (*)

Segundo o jornal, a empresa pretende automatizar até 75% de suas operações, o que poderá evitar a contratação de mais de 600 mil trabalhadores até 2033; a ideia é reduzir custos e aumentar a eficiência.

Atualmente, a Amazon emprega cerca de 1,6 milhão de pessoas em todo o mundo; é a segunda maior empregadora, perdendo para o Walmart, que tem 2,1 milhões de funcionários. No Brasil, a empresa tem cerca de 5 mil empregados diretos e 30 mil indiretos.

A Amazon vem investindo pesado em automação desde 2012, quando comprou a fabricante de robôs Kiva Systems por US$ 775 milhões. Desde então, seus centros de distribuição vêm sendo automatizados de forma intensiva; o mais moderno está em Shreveport, Louisiana, onde a automação já reduziu a necessidade de trabalhadores em 25% e a metade dos restantes deve ser demitida até o final de 2026.

É evidente que a Amazon pretende estender esse modelo aos seus demais centros de distribuição; pretende também automatizar ao máximo seus serviços de entrega.

A Amazon vem adotando estratégias para suavizar o impacto dessas demissões sobre sua imagem, adotando medidas que vão desde o patrocínio de eventos beneficentes até orientar seu pessoal a evitar o uso de termos como “automação” e “inteligência artificial”, substituindo-os por expressões como “tecnologia avançada” e “robôs colaborativos”.

A empresa, porém, nega que essas providências reflitam sua estratégia global e diz que continua contratando, incluindo 250 mil temporários para o período natalino. Diz também que a automação cria empregos que exigem maior qualificação e pagam maiores salários, como os de técnicos de manutenção de robôs.

Especialistas alertam, no entanto, para os riscos sociais. O professor Daron Acemoglu, do MIT, afirma que, se os planos se concretizarem, a Amazon poderá deixar de ser um criador líquido de empregos para se tornar um destruidor líquido. E, como já aconteceu em outras ocasiões, seu modelo pode rapidamente se espalhar para empresas como Walmart, Mercado Livre e UPS, abalando o mercado de trabalho de forma profunda.

Não se pode e nem deve combater o progresso, mas também não se pode deixar de fazer uma pergunta um tanto quanto ingênua: se todas as empresas seguirem nesse rumo, quem restará para comprar seus produtos?

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].