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Poder concentrado na nuvem

em Tecnologia
segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A revolução digital fez surgir uma nova classe de gigantes invisíveis: os hyperscalers.

Vivaldo José Breternitz (*)

Esse nome é dado a empresas como Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud que operam data centers extremamente grandes, onde são armazenados e processados os dados que permitem a milhões de usuários acessar serviços digitais sem interrupções. São eles que garantem que plataformas de streaming, redes sociais e sistemas bancários funcionem de forma confiável, mesmo em momentos de picos de demanda.

Mas por trás dessa eficiência há um ponto crítico que precisa ser discutido: a concentração de poder. Poucos fornecedores globais controlam a espinha dorsal da economia digital, o que significa que governos, empresas e cidadãos dependem de estruturas privadas para acessar serviços essenciais. A soberania digital, inclusive no Brasil, torna-se uma questão urgente.

Outro desafio é a dependência tecnológica. Ao migrar para a nuvem de um hyperscaler, muitas organizações acabam presas a um ecossistema específico, dificultando a mudança para outro provedor. Essa prática, conhecida como lock-in, pode limitar a autonomia das empresas e aumentar custos a longo prazo.

Há ainda o impacto ambiental. Data centers extremamente grandes consomem enormes quantidades de energia e água. Embora os hyperscalers invistam em eficiência energética e fontes renováveis, o crescimento exponencial da demanda digital levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse modelo.

No Brasil, a presença desses gigantes já é realidade, com diversos deles instalados especialmente no estado de São Paulo. Isso traz benefícios claros, como menor latência, acesso a tecnologias de ponta; empresas de qualquer porte podem usar a mesma infraestrutura, pagando apenas pelos recursos que utilizam. No entanto, a questão que permanece é: quem controla os dados e a infraestrutura crítica que sustentam nossa vida digital?

Em resumo: atualmente os hyperscalers são indispensáveis para o funcionamento da sociedade conectada. Mas é preciso olhar além da eficiência técnica e discutir os riscos de concentração de poder, dependência e impacto ambiental.

O futuro da nuvem não pode ser apenas uma corrida por escala; precisa ser também uma reflexão sobre autonomia, sustentabilidade e equilíbrio entre inovação, segurança e responsabilidade.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].