
Physical AI é a aplicação da inteligência artificial diretamente no mundo físico, em fábricas, robôs, veículos autônomos e sistemas industriais, permitindo que máquinas percebam, raciocinem e ajam de forma autônoma.
Vivaldo José Breternitz (*)
Physical AI deixou de ser uma promessa distante e já está transformando a forma como produtos são projetados, fábricas são administradas e soluções industriais são desenvolvidas.
Esse foi o tema central da terceira edição dos Siemens Tech Talks, realizada na Casa Siemens, em Milão, reunindo empresas e profissionais para debater a integração entre os mundos físico e digital.
Segundo Floriano Masoero, CEO da Siemens Itália, estamos vivendo uma revolução, com a inteligência artificial chegando ao mundo físico e tornando-se capaz de controlar fábricas inteiras; para isso, precisa ser absolutamente confiável e segura.
Entre os casos discutidos no evento está o da Ferrari: Gianmaria Fulgenzi, seu Chief Product Development Officer disse que “a tecnologia virtual nos ajuda a prever o futuro”; segundo ele, hoje é possível não apenas criar modelos 3D de seus carros, mas também desenvolver seus gêmeos digitais (digital twins), réplicas digitais dos carros que permitem antecipar testes em simuladores e em pista. Fulgenzi disse também que IA é indispensável também para as atividades fabris.
Na visão da Pirelli, também presente ao evento, a IA é uma revolução. Daniele Petecchi, seu Global Head of Data, AI and R&D Solutions disse que sua empresa vê cada vez mais a inteligência artificial como um estímulo à criatividade, eliminando tarefas repetitivas e liberando o potencial criativo das pessoas.
Para a Siemens, essa transformação não se restringe às grandes corporações. “A tecnologia é acessível a todas as empresas”, destacou Masoero. “Ferrari e Pirelli já desenvolveram modelos digitais que vão da concepção do produto até a operação, mas isso também é uma possibilidade para pequenas e médias empresas.” Fulgenzi concorda: “A inteligência artificial fará as PMEs avançarem rapidamente, elevando competências que exigiriam recursos e estruturas que muitas vezes elas não têm”.
São visões otimistas que contrastam com outras que veem a IA como um instrumento que vai fortalecer as grandes organizações e colocar em risco a existência das pequenas, o que esperamos que não aconteça.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
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