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Parece que o Irã está abrindo mais uma frente na guerra

em Tecnologia
quarta-feira, 13 de maio de 2026

A Guarda Revolucionária, que ao que parece controla o governo iraniano, tem intensificado ameaças contra a infraestrutura digital global ao sinalizar que pode cortar cabos submarinos que passam pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica tanto para o petróleo quanto para a internet mundial.

Vivaldo José Breternitz (*)

Especialistas alertam que um ataque desse tipo pode provocar lentidão, interrupções em serviços online e graves impactos econômicos em escala global. A agência de notícias iraniana Tasnim, ligada à Guarda, sugere que os cabos sejam cortados caso não sejam adotadas medidas que permitam o aumento das receitas do país por meio da cobrança de taxas sobre os cabos que passam pelo Estreito.

As sugestões da Tasnim estão em um artigo divulgado pela agência que tem como manchete “Três medidas práticas para gerar receita com os cabos de internet do Estreito de Ormuz”.

Entre as medidas sugeridas pela publicação para obter recursos a partir dessa infraestrutura, por onde trafegam diariamente informações referentes a transações de valor estimado em US$ 10 trilhões, estão a cobrança de licenças iniciais e taxas anuais dos proprietários e operadores estrangeiros dos cabos e a garantia de que o controle exclusivo e a manutenção dos mesmos fiquem sob a responsabilidade de empresas iranianas.

O corte provocaria enormes prejuízos não apenas aos gigantes de tecnologia, mas também a outras empresas espalhadas pelo mundo, embora afetando mais diretamente países da região, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita, tidos como alinhados aos interesses ocidentais.

Embora o Brasil não dependa diretamente dos cabos que cruzam o Estreito de Ormuz, qualquer sabotagem naquela região geraria um efeito cascata sobre a rede mundial; nosso país sentiria impactos prejudicando as comunicações como um todo, o comércio eletrônico, as operações financeiras e até mesmo atividades de lazer, como streaming e jogos eletrônicos.

No entanto, alguns acreditam que essas ameaças representam pouco mais que uma demonstração de força e um instrumento de pressão nas negociações para o fim do conflito, que vêm dominando as manchetes nas últimas semanas.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

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