O sucesso por trás do fluxo de ideias

Na busca por um ambiente corporativo favorável ao compartilhamento de ideias, é fundamental se atentar à estruturação de uma empresa que pavimente caminhos proveitosos em termos de inovação

Talita Olivatto (*)

Inserir conceitos de inovação no cotidiano operacional é um objetivo comum aos que buscam potencializar o desempenho dos profissionais e acompanhar o advento da transformação digital. No entanto, enganam-se os que resumem o tema apenas à tecnologia e seus aprimoramentos técnicos, é necessário dar alguns passos adiante. Para que a mudança ocorra de modo amplo, atingindo positivamente todos os profissionais, sem distinções, é necessário fomentar uma cultura aberta à exposição de ideias. Em outras palavras, trata-se de uma política de gestão preocupada com o que as pessoas têm a contribuir para o andamento do negócio.

É justamente nesse sentido que se personifica a necessidade de se estabelecer um fluxo de ideias consolidado internamente. Como esperar que medidas inovadoras provoquem os efeitos desejados se não há nenhum estímulo para que as ideias sejam ao menos consideradas e discutidas entre os colaboradores? Ao atingir esse nível de maturidade na comunicação, será muito mais fácil conduzir mudanças pontuais sem que resistências ou obstáculos prejudiquem esse processo de transição.

O pontapé inicial para o fluxo de ideias
A inovação deve passar pelos colaboradores, que necessitam ter um certo grau de autonomia para realizar mudanças e testar suas ideias. O papel do gestor, neste cenário de fluxo de ideias, deve ser de apoio e incentivo, para que novas estratégias sejam colocadas em prática, além de estar preparado para ser a base do time quando as ideias não gerarem o resultado esperado. A falha faz parte do processo de inovação e, quanto mais rápido falharmos, mais rápido aprendemos; quanto mais aprendemos, melhores serão nossas ideias e nosso poder de combinar conceitos e funções.

Mudanças no campo comportamental demandam tempo, não há dúvidas em relação a isso. Portanto, para que os frutos do fluxo de ideias sejam colhidos e modifiquem o alcance operacional da organização, é indispensável que a mesma ofereça um suporte que atenda às principais necessidades das equipes. Dessa forma, a geração de insights será capaz de retirar materiais do espaço teórico e transportá-los à rotina de trabalho.

Como está o cenário atual no Comércio Exterior?
O Comércio Exterior é um ótimo exemplo prático de como transformações recorrentes exigem um nível elevado de adaptabilidade por parte das empresas. Permanecer inoperante e não acompanhar tendências promissoras é uma alternativa, no mínimo, perigosa. De fato, a tecnologia encabeça uma lista de aprimoramentos indispensáveis para agilizar etapas e simplificar o dia a dia dos profissionais, mas seu intuito principal é garantir que o protagonismo humano atinja seu ápice.

Para se ter uma ideia, até mesmo o Governo Federal está apostando no uso de metodologias ágeis, como o Design Thinking, um conjunto de insights voltado a propostas e soluções, ou seja, uma estrutura de fluxo de ideias. Como resultado, tem-se a restruturação governamental para executar processos. E é nesse cenário que surge, inclusive, o Novo Processo de Importação, apontando a redução do tempo médio para importações em 10 dias, de acordo com o Programa Portal Único de Comércio Exterior.

O Governo está se modernizando para conseguir ouvir a opinião das pessoas, consolidando novas ideias. Antes, tal ponto era extremamente formal, por meio de formulários burocráticos. Hoje, as ideias estão efetivamente indo para a prática. Sem esse fluxo e uma governança que incentive a inovação também no âmbito discursivo, não se limitando à parte técnica, esse aceno às novidades operacionais pode ser ilusório. É essencial ter plena convicção de que os insumos produzidos pela digitalização estão sendo utilizados em prol das pessoas, melhorando o grau de assertividade na tomada de decisão.

Reflexos para os produtos internos
Antigamente, características como qualidade e prestígio eram determinantes para o sucesso de um produto e, consequentemente, para o crescimento do negócio. Hoje, essa concepção não só está antiquada, como pode colocar em risco a imagem das empresas ante o público consumidor, cada vez mais atualizado quanto às novidades mercadológicas. Logo, não seria nenhum exagero destacar a preponderância da inovação para a consolidação comercial, na medida em que concede criatividade e flexibilidade para acompanhar o dinamismo externo.

Em um local cuja sinergia é presente entre os profissionais, com menos modelos estáticos e mais segurança e tranquilidade para sair do lugar comum, gestores e colaboradores atuam em parceria para pensar em processos, soluções, serviços e produtos inovadores. O resultado é mais competitividade para se manter no mercado e satisfazer os usuários.

Já virou a “chave” da mudança cultural?
A questão acerca da cultura organizacional tem sido debatida com frequência nos últimos anos. Não por acaso, afinal, este é um dos elementos mais afetados pelo avanço tecnológico e o papel humano no contexto de transformação digital. Para inovar, é imprescindível que o ambiente corporativo seja favorável e assegure a liberdade criativa, principalmente entre os funcionários, para que todos sintam-se à vontade para propor a inovação.

Encerro o artigo enfatizando o prota­gonismo que o fluxo de ideias proporciona às pessoas. A gestão de inovação traz consigo o trunfo de anteceder hábitos dos clientes e gerar uma linha de trabalho modernizada, desde a etapa de captação da proposta, o auxílio no desenvolvimento à finalização do produto. Com isso, será possível evidenciar os benefícios práticos da inovação, colocando a empresa em totais condições para assumir um posicionamento de destaque no segmento em que atua.

(*) É Especialista em Comércio Exterior na eCOMEX-NSI.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0 Shares
Share via
Copy link
Powered by Social Snap