O caminho das pedras para criar a cultura de qualidade

Entenda os passos dessa jornada

Grace Libânio (*)

Essas são algumas das perguntas que eventualmente recebo. No entanto, não existem respostas concretas para elas. Isso porque, embora alguns arrisquem dar recomendações a respeito, não existe um número determinado de QAs por desenvolvedores, de testes a serem realizados e muito menos um caminho padrão para resolver todos os tipos de desafios em qualidade. 

Mais importante do que ações isoladas é disseminar a mentalidade correta entre as equipes envolvidas em um ecossistema de desenvolvimento de software. Todas as ações realizadas devem culminar para que, no longo prazo, todos abracem a responsabilidade pela qualidade do que está sendo entregue. 

E a criação dessa cultura deve sempre começar pela alta liderança. Se a prioridade dela está na entrega acima da experiência do consumidor, dificilmente será possível criar essa cultura de qualidade.

A inovação é importante para promover a sustentabilidade dos negócios e oferecer ao mercado produtos e serviços diferenciados. Mas a necessidade de sair na frente e entregar rápido não deve se sobrepor à qualidade, caso contrário, corre-se o risco do produto ser lembrado pelos problemas e impactos na experiência do usuário – e não por sua disrupção. Além disso, fazer correções em um produto que já foi disponibilizado ao mercado geram mais custos, redução da confiança do cliente e, por consequência, prejuízos financeiros. 

Mas quais características são encontradas em empresas onde a qualidade passou a fazer parte da cultura corporativa? 

O real propósito dos testes
A realização de testes não é uma etapa exclusiva da homologação, mas uma atividade que deve estar presente desde a análise de requisitos e seguir por todo o ciclo de desenvolvimento do produto digital. Os testes, sejam eles funcionais, não funcionais ou que validem a experiência de uso, são essenciais para melhorar a qualidade do produto. 

As informações obtidas com esses testes devem ser de fácil acesso para que todos da equipe tirem aprendizados e, consequentemente, apliquem melhorias, tanto no produto quanto no processo. Os problemas detectados, a avaliação das falhas, o impacto de cada uma delas na experiência do usuário, como elas poderiam ser mitigadas e quais ações precisam ser realizadas para solucionar o problema também precisam ser compartilhados com todos. 

Isso parece óbvio, mas já vi backlogs com um número grande de erros e quando perguntei se eles seriam resolvidos, me informaram: “Estamos usando as informações para medir a quantidade de erros detectados no desenvolvimento do produto”. Mais do que ter métricas, as pessoas precisam saber as consequências e os impactos, além de traçar planos de ação concretos para resolver os problemas.

A importância da integração dos times
Quando a qualidade é tida como responsabilidade apenas dos QAs, o que ainda é muito comum de se ver no mercado, é provável que esse tema não seja uma prioridade dentro da empresa. O sucesso de uma cultura de qualidade nasce na parceria entre o time de negócios e o time técnico (os QA’s inclusos, mas não apenas eles).

O importante é que esses times alinhem expectativas e compreendam como cada um dos papéis influencia no desenvolvimento, levando contexto para que as pessoas envolvidas tenham a visão macro da estratégia e possam guiar suas ações e tomar decisões com foco no que vai gerar mais valor para o cliente. No final, não apenas o usuário sai ganhando, mas benefícios também são vistos em termos operacionais dentro da empresa.

É papel da liderança apoiar as ações e mudanças propostas pelos QAs, que ao longo da jornada, devem ajudar as demais equipes a desenvolverem novas habilidades e processos. Sem o suporte dos gestores não será possível integrar os times técnico e de negócios e mostrar para esses colaboradores os benefícios de oferecer um produto que gere uma boa experiência ao usuário final.

Lembre-se sempre que: 
uma boa cultura de qualidade deve envolver a performance, funcionalidade e usabilidade de um produto digital;
a cultura da empresa não pode inibir a qualidade, seja por priorizar a velocidade ou os custos;
entregar rápido não é sinônimo de entregar com qualidade; 
testar é uma atividade contínua, não uma única etapa da homologação;
testes sem ações corretivas não servem para nada. 

Praticando a cultura de qualidade, os colaboradores vão saber seu valor e terão conhecimento sobre os processos envolvidos para mantê-la! Ou seja, os próprios desenvolvedores se questionarão sobre os testes e irão trabalhar para atingir os melhores resultados. Além disso, os objetivos de todos os membros da organização estarão mais alinhados, o que torna a integração dos novos colaboradores, independente da área, mais fácil e sem perdas nas entregas. 

(*) É Head de Negócios da Sofist

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