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Números da OpenAI são impressionantes

em Tecnologia
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A OpenAI divulgou no domingo passado dados sobre seu desempenho financeiro e a expansão de sua infraestrutura de data centers – esses números são impressionantes.

Vivaldo José Breternitz (*)

A diretora financeira da empresa, Sarah Friar, informou em um post no blog corporativo que a receita recorrente anualizada superou US$ 20 bilhões no ano passado. O resultado representa um avanço expressivo frente aos US$ 6 bilhões registrados em 2024 e aos US$ 2 bilhões de 2023. No mesmo intervalo, a capacidade instalada de data centers da OpenAI saltou de 200 megawatts para cerca de 1,9 gigawatts.

Segundo a executiva, o crescimento simultâneo da receita e do poder computacional, ambos multiplicados por aproximadamente dez em três anos, reflete uma estratégia deliberada. Friar afirmou que os investimentos em infraestrutura são vinculados a marcos de expansão do negócio. “O capital é comprometido em etapas, com base em sinais reais de demanda”, escreveu. “Isso permite acelerar quando há crescimento sem antecipar investimentos além do que o mercado justifica”.

Além da expansão, a OpenAI busca ganhos de eficiência. Friar revelou que o custo de inferência caiu para menos de US$ 1 por milhão de tokens, resultado obtido, em parte, pela combinação de diferentes perfis de hardware nos seus data centers.

“Treinamos modelos de fronteira em hardware premium quando isso é necessário”, afirmou. “Já as cargas de alto volume rodam em infraestrutura de menor custo, em situações em que a eficiência é mais relevante.”

A redução das despesas com infraestrutura tende a ganhar mais peso. Em setembro, fontes ouvidas pelo site The Information disseram que a OpenAI caminhava para encerrar 2025 com prejuízo de US$ 8 bilhões, US$ 1,5 bilhão acima do previsto inicialmente. Neste ano, a perda pode mais do que dobrar, para cerca de US$ 17 bilhões.

Segundo essas fontes, o desenvolvimento de chips próprios e data centers personalizados faz parte da estratégia para conter custos. Em 2024, a OpenAI firmou uma parceria de US$ 10 bilhões com a Broadcom para o codesenvolvimento de aceleradores de inteligência artificial. Em paralelo, trabalha com a SB Energy, do SoftBank, na construção dos data centers Stargate com arquitetura customizada.

Friar também sinalizou mudanças no modelo de monetização do setor. “Licenciamento, acordos baseados em propriedade intelectual e precificação por resultados devem capturar parte do valor criado”, escreveu.

Como este jornal já noticiou, publicidade passa a integrar a estratégia da OpenAI. Há alguns dias, a empresa anunciou que começará a exibir publicidade paga junto das respostas do ChatGPT.

No plano de produtos, a OpenAI prioriza agentes de IA e ferramentas de automação de fluxos de trabalho. O objetivo é permitir que usuários de seus produtos automatizem tarefas que envolvem múltiplos aplicativos, tornando esses produtos mais atraentes.

É importante saber até quando investidores continuarão apostando na OpenAI e por quanto tempo seus prejuízos poderão ser suportados.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].