328 views 3 mins

Nikola, mais um fracasso na área de veículos elétricos

em Tecnologia
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

A Nikola, startup que a partir de 2021 produziu caminhões movidos a eletricidade produzida por células de hidrogênio, entrou na justiça americana com um pedido de proteção conhecido no ambiente de negócios como Chapter 11.

Vivaldo José Breternitz (*)

O Chapter 11 permite a uma empresa em dificuldades financeiras tentar reorganizar suas dívidas e ativos – mas é praticamente uma falência

A Nikola já foi uma queridinha do Vale do Silício, avaliada em US$ 30 bilhões em junho de 2020 – vaslia mais do que a Ford. Mas uma série de escândalos envolvendo seu fundador e ex-CEO Trevor Milton levou a empresa a uma queda livre, não tendo conseguido encontrar um comprador ou garantir recursos adicionais para manter as operações.

“Como outras empresas da indústria de veículos elétricos, enfrentamos vários fatores de mercado e macroeconômicos que impactaram nossa capacidade de operar”, disse Steve Girsky, presidente e CEO da Nikola, em um comunicado. Agora, empresa planeja leiloar seus ativos, tentando quitar suas dívidas.

Ainda segundo Girsky, nos últimos meses a empresa tentou várias ações para levantar capital, reduzir duas dívidas, limpar seu balanço e preservar caixa para sustentar as operações, mas não obteve êxito, o que levou seu Conselho a optar pelo recurso ao Chapter 11, considerando-o melhor caminho possível para a empresa e para seus stakeholders, dadas as circunstâncias.

Milton, o ex CEO foi acusado de ter enganado os investidores, dizendo que a Nikola havia construído um caminhão do “zero” e desenvolvido baterias que, na verdade, foram compradas de terceiros. Estas e outras mentiras de Milton levaram-no a renunciar em setembro de 2020, tendo em 2022 sido condenado por fraude – atualmente, está em liberdade recorrendo de uma sentença de quatro anos de prisão.

Esses fatos obrigaram a empresa a pagar uma multa de US$ 125 milhões – suas ações desabaram, resultando em perdas significativas para os investidores.

A Nikola tem cerca de US$ 47 milhões em caixa, que se somariam a recursos vindos da venda de seus ativos para tentar quitar suas dívidas ou parte delas.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas