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Microsoft estuda impactos da IA sobre cognição

em Tecnologia
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

O uso da Inteligência Artificial vem crescendo exponencialmente.

Vivaldo José Breternitz (*)

Com grandes empresas disputando esse mercado e fazendo investimentos pesados na área, é bastante provável que esse processo de crescimento seja até mesmo acelerado. Esse fato levou a Microsoft a desenvolver estudos acerca dos impactos do uso dessa ferramenta sobre os trabalhadores do conhecimento, que na atualidade são os maiores usuários de inteligência artificial.

Os estudos visavam descobrir os efeitos do uso da IA sobre o pensamento crítico – os resultados são preocupantes. Usuários que têm mais confiança no desempenho da IA tendem a exercer menos o pensamento crítico, pois deslocam seu foco para verificar se a informação produzida está correta ou garantir que uma tarefa seja concluída corretamente pela IA.

Os pesquisadores apontam para estudos anteriores que mostram que não exercer o pensamento crítico naturalmente leva a um declínio nesta habilidade cognitiva, deixando a pessoa despreparada quando a mesma se torna realmente necessária.

Isso deve ser um grande sinal de alerta para esse uso particular da IA, pois obviamente menos foco no pensamento crítico não é um resultado desejável. Isso é especialmente preocupante à medida que mais e mais estudantes usam ferramentas como o ChatGPT para ajudar a completar tarefas ou potencialmente durante a instrução em sala de aula. Estes são anos transformadores no desenvolvimento do cérebro de um estudante, pois a maioria das tarefas na escola gira em torno do pensamento crítico. Isso pode levar a uma geração que está despreparada para participar da força de trabalho moderna, o que afetará tanto os indivíduos quanto as empresas que precisam de funcionários qualificados.

Infelizmente, o estudo não envolveu a descoberta de maneiras potenciais de contrabalançar essa perda no pensamento crítico, apenas que é um possível resultado para trabalhadores do conhecimento ou qualquer outra pessoa que dependa fortemente da IA para concluir tarefas. Esperançosamente, isso estimula mais estudos sobre como esse resultado negativo da IA pode ser evitado.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].