Maturidade corporativa para compreender as mudanças inevitáveis no modelo de gestão

O Brasil está enfrentando um dos piores cenários político, econômico e sanitário dos últimos tempos. Diante de todos os acontecimentos, para as empresas pequenas, médias ou grandes, o momento ainda é de bastante incerteza e dúvida. Desde março de 2020 os gestores estão forçados a tomarem decisões rápidas e decisivas, que certamente impactaram os negócios, tanto positiva como negativamente.

Com o home office implantado em toda a pirâmide organizacional, não somente as dinâmicas corporativas sofreram bastante mudanças. As pessoas foram as mais afetadas com todas essas alterações repentinas – as percepções e preferências agora são diferentes – surgindo nos colaboradores uma necessidade por boas e satisfatórias experiências no dia a dia de trabalho, que lhes permitam certa flexibilidade e direito de escolha quando o assunto é presencial ou remoto.

De acordo com um levantamento da Orbit Data Science, após alguns meses de home office integral, a satisfação de parte dos brasileiros caiu de 71,3% em fevereiro de 2020, antes da pandemia, para 45% em junho do mesmo ano. Nos meses seguintes houve uma adaptação de muitos profissionais, mas o percentual dos insatisfeitos chegou a 43% em outubro do ano passado.

A mesma pesquisa aponta ainda que, enquanto alguns profissionais se adaptaram ao modelo 100% remoto, outros preferem o modelo híbrido, que permite estar no escritório alguns dias da semana, buscando, assim, por maior interação com seus colegas e menor sobrecarga de demandas.

Um recente estudo da Deloitte feito com 662 companhias brasileiras com faturamento entre 100 milhões a R$ 1 bilhão, antes da Covid-19, mostra que 24% das empresas ofereciam teletrabalho ou políticas flexíveis – após a pandemia esse número saltou para 98%.

Diante dos dados, como os C-levels e tomadores de decisão devem agir para se manterem ativos no mercado, gerando receita satisfatória? O que muitos ainda não sabem é que será preciso alterar o modelo de gestão para essa sobrevivência acontecer. Ser people–centric não é mais apenas um conceito, é uma palavra de ordem que garante o sucesso e a vantagem competitiva das companhias.

As empresas precisam se adaptar às mudanças que a sociedade vem realizando. Não há mais espaço para gestões centradas somente em resultados, sendo que as organizações prosperam graças ao seu time de funcionários. O sucesso está diretamente ligado ao engajamento e felicidade de quem faz parte de sua empresa. E a pergunta seguinte é: como fazer a gestão eficiente centrada em pessoas? A resposta é simples: por meio de dados.

Com as informações corretas sobre a rotina individual de cada colaborador, os gestores conseguem fazer uma gestão assertiva do uso dos escritórios e, inclusive, ir além – atingindo também o home office. Não basta a infraestrutura funcionar perfeitamente se as pessoas que usufruem do escritório não estiverem satisfeitas com o local. Se atente em saber se o escritório é realmente útil no dia a dia de trabalho.

Detalhes como flexibilidade no agendamento/cancelamento de salas, mesas e refeitórios são alguns dos itens que merecem atenção daqui para frente. Optar pela dinâmica do mix entre o presencial e o remoto também é algo que os funcionários buscam bastante, por ser um modelo que propicia às pessoas conciliar o trabalho com as agendas pessoais – o que é visto hoje em dia como item crucial para se obter qualidade de vida e mais tempo com a família. Empresas que não se atentarem a isso certamente perderão talentos e isso impactará a receita. Funcionários felizes performam muito melhor do que aqueles que estão descontentes e desengajados por conta de uma cultura empresarial nada empática.

A maturidade corporativa vem quando os CEOs, CFOs e todos os líderes conseguem enxergar as necessidades de mudanças e colocá-las em prática. De nada adianta manter o mesmo estilo de liderança e cultura corporativa quando as pessoas criaram outras percepções e novas necessidades surgiram. É preciso entender que para se manter ativo no mercado será mandatório rearranjos nos escritórios, flexibilizações, políticas de RH que olhem com atenção para a saúde mental e o mais importante: investir fortemente em Employee Experience (EX).

Lembre-se que um ambiente corporativo mais agradável, com colaboradores engajados e felizes, pode trazer clientes mais satisfeitos e, consequentemente, melhores resultados para sua empresa. Não é o momento de ignorar ou adiar essa forte tendência dentro de sua companhia. Invista no que seus funcionários querem e veja o benefício retratado nos índices de crescimento do seu negócio.

(Fonte: Flávio Pimentel, CEO da Neowrk).

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