Marinha americana aposta em navios não tripulados

A Marinha dos EUA pretende colocar em operação, até 2045, 150 navios totalmente controlados e operados por inteligência artificial. Isso representará um terço de sua frota.

Vivaldo José Breternitz (*)

Esses navios poderão ser menores e de operação mais barata, porque não terão tripulantes a bordo. Com isso, a US Navy pretende resolver também um problema que enfrenta há anos, a falta de pessoal: neste momento, apenas 89% de seus quadros estão preenchidos, apesar das intensas campanhas de recrutamento.

Essas informações constam do relatório “Navigation Plan 2022”, liberado pela força em fins de julho e que lista o que pretende fazer para garantir o controle dos mares, tornando-se apta a enfrentar possíveis oponentes, especialmente a China.

O plano menciona também outras necessidades, como cerca de 350 navios convencionais e 3 mil aeronaves, o que representa um aumento dramático em relação aos apenas 75 novos navios adicionados à frota nas últimas duas décadas. A Marinha opera atualmente 300 navios.

Alguns veem com ceticismo a possibilidade de a Marinha obter o que pretende, pois é preciso aprovação do Congresso para liberação dos recursos financeiros necessários. Militares expressam sua preocupação com o tema, alegando que a China e a Rússia já estão testando equipamentos desse tipo.

Frente a notícias como essa, vale a pena lembrar o que disse o presidente americano Dwight Eisenhower em seu discurso de fim de mandato, em 17 de janeiro de 1961: “é injustificada a influência que o complexo militar-industrial vem crescentemente conquistando”. Pediu à nação que se precavesse contra o perigo de tornar-se prisioneira de uma elite científico-tecnológica voltada à corrida armamentista e aos lucros provenientes dela, evidentemente.

Eisenhower deveria saber do que estava falando, pois antes de ser presidente fora o comandante das forças aliadas na Europa durante a Segunda Guerra Mundial, o primeiro comandante da OTAN e presidente da Columbia University.

(*) É Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas.

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