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Mais um aviso: inteligência artificial é perigosa para adolescentes

em Tecnologia
terça-feira, 25 de novembro de 2025

Uma nova geração vive sua adolescência no alvorecer da inteligência artificial, mas os impactos desta sobre esses jovens já são assustadores, como mostra um relatório produzido pela OnSide, uma ONG britânica de apoio à juventude.

Vivaldo José Breternitz (*)

A ONG entrevistou 5.035 jovens entre 11 e 18 anos para produzir o “Generation Isolation Report”, seu estudo anual sobre como os jovens ocupam o tempo livre – o relatório revelou que 40% dos adolescentes recorrem à IA em busca de conselhos, companhia ou apoio.

Mais da metade dos jovens entrevistados afirmou recorrer à IA especificamente para pedir conselhos sobre roupas, amizades, saúde mental ou para que a IA os ajudasse a lidar com emoções como tristeza e estresse. Um em cada dez disse que escolhia a IA simplesmente porque é mais fácil conversar com uma IA do que com uma pessoa real – a IA é facilmente acessada e pouco regulada, não sendo surpreendente que adolescentes e até mesmo crianças a procurem.

O estudo mostra uma geração solitária, com acesso irrestrito a tecnologias viciantes. Segundo a pesquisa, 76% dos jovens passam a maior parte do tempo livre diante de telas e 34% relatam sentir níveis altos ou muito altos de solidão.

À medida que a IA se infiltra cada vez mais no cotidiano dos adolescentes, soam sinais de alerta; se chatbots de IA tem se mostrado perigosamente viciantes para adultos, que ao menos em tese atingiram a maturidade, podemos imaginar seu poder sobre crianças e adolescentes.

Nos Estados Unidos, a American Psychological Association afirma que chatbots usados para aconselhamento em saúde mental podem colocar usuários em risco, especialmente “grupos vulneráveis (que) incluem crianças e adolescentes, que não têm experiência para avaliar riscos com precisão”.

Em alguns casos, os resultados têm sido fatais, havendo ações judiciais movidas por pais que acusam esses chatbots de serem responsáveis pelo suicídio de seus filhos. Vários chatbots também estão sendo investigados por conversas de conteúdo erótico com crianças. A Meta foi duramente criticada no início de 2025 após um documento interno vazado mostrar que a empresa permitia que suas ferramentas de IA mantivessem “conversas sensuais” com menores.

Em vários países há projetos visando obrigar as empresas de IA a implementar verificação de idade em seus sites e bloquear usuários com menos de 18 anos; no entanto, é difícil acreditar que essas medidas sejam eficazes, pois quase tudo que se fez até agora nesse sentido não funcionou bem.

As melhores armas para defender nossas crianças e adolescentes talvez sejam informação e a presença e acompanhamento constante por parte dos pais.

(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].