
As quatro maiores empresas globais de consultoria e auditoria são Deloitte, EY, KPMG e PricewaterhouseCoopers (PwC). Como noticiamos recentemente, EY e KPMG publicaram relatórios produzidos por IA, repletos de erros, chamados “alucinações” nesse ambiente.
Vivaldo José Breternitz (*)
Agora, descobre-se que a PwC publicou não um, mas pelo menos quatro relatórios recheados de erros graves, como citações inventadas, notas de rodapé falsas e referências sem fundamento. Os documentos foram publicados pela PwC entre 2024 e 2026 e identificados como gerados por inteligência artificial pelo GPTZero, uma ferramenta criada com esse objetivo.
As falhas foram confirmadas por veículos de peso, como o Financial Times. Os relatórios deveriam refletir a visão da PwC sobre setores em expansão no Oriente Médio, como inteligência artificial, serviços públicos e veículos elétricos.
Entre os casos mais controversos, um relatório afirmava que 70% dos CEOs da região acreditavam que a IA generativa redefiniria seus negócios. Porém, a nota de rodapé indicando a fonte remetia a um artigo sem qualquer menção ao assunto.
O episódio mais constrangedor envolveu um suposto “case de sucesso” do grupo JPMorgan, baseado em um post publicado em um blog por um adolescente com apenas 280 seguidores. O relatório dizia que a iniciativa, baseada em IA, automatizava a análise de contratos de empréstimos, economizando milhões de dólares. Mas havia um problema: o post mencionava um projeto que o JPMorgan estudara em 2017, muito antes de IA passar a ser usada rotineiramente.
Informações sobre veículos elétricos também apresentaram inconsistências, como estudos inexistentes sobre a qualidade do ar em Riad e links quebrados em notas de rodapé. Em três trechos diferentes, foi repetida a informação de que 90% dos acidentes de trânsito são causados por erro humano, cada vez com uma fonte diferente, e uma vez sem fonte alguma.
A ironia é que a PwC se posiciona como referência em uso responsável de inteligência artificial. A empresa, no entanto, reconheceu as falhas e prometeu revisar seus processos.
Fica, contudo, o alerta: se gigantes do setor cometem deslizes desse porte, qual é o real nível de precisão de consultorias menores ou de conteúdos gerados por funcionários ou prestadores de serviço sem a devida checagem?
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

