
A adoção de soluções que combinam IA e IoT (AIoT) oferece ganhos expressivos de eficiência às organizações de todos os tipos.
Vivaldo José Breternitz (*)
Segundo um recente relatório da IDC, uma das principais empresas globais de pesquisa de mercado, consultoria e inteligência em TI, telecom e consumo digital, 62% das organizações globais já adotaram alguma forma de integração entre IA e IoT, e outros 31% planejam fazê-lo.
Apesar disso, ir além dos projetos-piloto ainda é o principal obstáculo para as empresas: mais da metade (57%) admite ter feito apenas implantações limitadas ou estar em estágios de prova de conceito.
Para os executivos envolvidos o cenário revela um risco crescente: o chamado “purgatório dos pilotos”, em que iniciativas tecnológicas não conseguem atingir a escala necessária para gerar retorno palpável sobre o investimento. Em contrapartida, os 43% que já alcançaram integrações amplas ou totalmente maduras relatam ganhos muito consideráveis.
O relatório mostra que organizações classificadas como “usuárias intensivas” de IA em IoT têm o dobro de probabilidade de registrar resultados muito superiores às expectativas iniciais quando comparadas às que fazem uso mais modesto da tecnologia. Menos de 3% dos executivos entrevistados afirmaram que AIoT ficou aquém do esperado.
A manutenção preditiva continua sendo o caso de uso mais difundido: 71% das organizações já utilizam AIoT para prever falhas em equipamentos, reduzindo paradas inesperadas e custos operacionais. Automação de TI aparece em seguida, com 53% e aplicações em logística e cadeia de suprimentos chegam a 47%.
O impacto do AIoT se evidencia em setores específicos. Na manufatura, a tecnologia viabiliza automação avançada, substituindo decisões complexas antes tomadas por humanos. O resultado é a otimização de processos e a melhoria na qualidade dos produtos, em um contexto de escassez de mão de obra e cadeias de suprimento pressionadas.
No setor de energia, o AIoT aumenta a resiliência das redes elétricas. Ao integrar dados provenientes de geradores, usinas e turbinas eólicas, operadores conseguem prever demanda, reduzir custos e otimizar o fluxo de energia em tempo real.
Embora a tecnologia tenha avançado rapidamente, a disponibilidade de recursos humanos qualificados é pequena; em 2025, esse foi o principal obstáculo à adoção ampla de AIoT.
Além da falta de talentos, custos elevados e integração com sistemas legados continuam sendo entraves. A qualidade dos dados permanece crítica: sem informações limpas e consistentes, os modelos de IA falham.
A IDC recomenda foco na capacitação das equipes e na modernização da infraestrutura de dados. Com 79% das organizações considerando o AIoT essencial para a competitividade, o desafio não é mais tecnológico, é estrutural, pois, globalmente, 64% delas esperam aumentar os níveis de adoção de AIoT nos próximos dois anos
Aqui no Brasil, o cenário é similar – empresas e outras organizações caminham no mesmo sentido: o Fórum Brasileiro de Internet das Coisas está ampliando sua área de atuação passando a abranger IA, cogitando inclusive mudar seu nome para deixar clara essa nova postura.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


