
O uso da inteligência artificial generativa (IAG) cresce a cada dia, tanto na vida cotidiana quanto no ambiente profissional.
Vivaldo José Breternitz (*)
Nesse contexto, saber como escrever bons prompts — ou seja, comandos, pedidos ou consultas feitos a sistemas de IAG — é decisivo: a qualidade das respostas depende diretamente da qualidade das solicitações.
Solicitações ambíguas ou vagas confundem o sistema e comprometem a precisão das respostas. Como afirma o próprio ChatGPT, um prompt mal formulado “pode influenciar diretamente na qualidade do resultado obtido”.
Por essa razão, é útil observar algumas recomendações para escrever bons prompts, inicialmente especificando o tom, formato, estilo ou intenção do que se espera, como por exemplo deixando claro que se quer “um texto acadêmico com tom formal”.
Também é importante deixar claros os objetivos, por exemplo dizendo que se quer uma resposta “para compartilhar com meus colegas de trabalho”.
A utilização de linguagem precisa e direta, evitando ambiguidades ou instruções vagas, é fundamental, assim como incluir referências ou exemplos, sempre que possível, para orientar a IAG com mais clareza.
Quando se recebe respostas insatisfatórias, na maioria dos casos a falha é da ferramenta, mas do usuário, pois a IAG não lê pensamentos, ela apenas interpreta os pedidos que recebe.
Um comando vago como “crie uma apresentação sobre as causas da inflação” pode gerar inúmeras respostas diferentes. Já uma solicitação clara como “crie uma apresentação com dez slides para explicar as causas da inflação a estudantes do ensino médio” orienta a ferramenta com muito mais precisão.
O mesmo vale para o tom e o estilo do texto: a IAG pode redigir de forma acadêmica, informal, técnica ou literária, desde que isso seja explicitado. Instruções como “com tom jornalístico”, “no estilo de uma palestra” ou “com abordagem narrativa” são importantes para moldar a saída desejada.
Outro erro frequente é dar instruções sem fornecer contexto. Pedir “ideias para um negócio” é muito diferente de dizer “ideias para um restaurante vegano, com baixo investimento, localizado no centro de São Paulo”. A IAG funciona melhor quando entende o cenário com que ela deve operar: público-alvo, localização, objetivo, restrições etc.
Nesse sentido, os prompts mais eficazes não são necessariamente os mais longos, mas os mais informativos: um parágrafo claro, com detalhes bem pensados, pode ter mais impacto do que uma lista confusa de comandos.
Ao contrário do que ocorre em buscadores como o Google, o uso de IAG é um processo interativo: raramente se alcança o melhor resultado logo na primeira tentativa. Reescrever o prompt faz parte do fluxo natural de trabalho com IAG – longe de ser uma falha, essa repetição é uma oportunidade para refinar os objetivos e obter resultados mais precisos, úteis e interessantes.
Aprender a escrever bons prompts é um passo essencial para explorar todo o potencial da inteligência artificial generativa.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].




