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Inteligência artificial enriquece ainda mais a Coréia do Sul

em Tecnologia
terça-feira, 16 de junho de 2026

Em 1960, a renda per capita do Brasil era de US$ 2.603 e a da Coréia do Sul, US$ 1.027.

Vivaldo José Breternitz (*)

Desde aquela época, um processo consistente de educação e industrialização, levou em 2025 esses números para aproximadamente US$ 9.462 e US$ US$ 36.232, respectivamente. Ou seja, há 65 anos nossa renda per capita era duas vezes e meia maior que a dos coreanos e hoje ela é quatro vezes menor.

Agora, a inteligência artificial está fazendo com que os números sul-coreanos fiquem ainda melhores: o país é o maior produtor mundial de chips de memória, fabricados principalmente pela Samsung e SK Hynix, e que são altamente demandados por data centers voltados à IA; ficaram para trás os tempos em que os eletrônicos Samsung e os veículos Hyundai eram os principais produtos coreanos.

A indústria sul-coreana responde por mais de 60% da produção mundial dos chips de memória, gerando resultados financeiros impressionantes, a ponto de o índice Kospi, que mede a evolução da bolsa de valores local, ter mais que dobrado em 2025; esse índice é considerado um termômetro da economia sul-coreana. Alguns trabalhadores da indústria de chips têm recebido bônus de centenas de milhares de dólares.

O “boom dos chips” virou assunto em todos os lugares, das conversas em família a bares, restaurantes e redes sociais. Surgem neologismos como “silicon collar”, usado para designar os empregados de empresas da área. A moda vem sofrendo influências, roupas com logos dos fabricantes de chips tornaram-se populares; também o mercado imobiliário vem sendo afetado, tendo se valorizado muito os apartamentos próximos às rotas dos ônibus que transportam pessoal para as fábricas de chips.
Os jovens que estão chegando à universidade também vêm sendo influenciados: até pouco tempo, medicina era a carreira mais procurada; hoje os cursos da área de exatas, que podem levar os jovens para a indústria de chips, são os preferidos.

Seria tão bom se algo similar estivesse acontecendo em nosso país…

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

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