
Ao contrário do que se previa, o uso da inteligência artificial (IA) não está aliviando a rotina dos profissionais, mas sim tornando-a mais intensa.
Vivaldo José Breternitz (*)
Segundo estudos da ActivTrak, empresa no Texas, que desenvolveu uma plataforma de análise da força de trabalho e monitoramento de produtividade, a tecnologia tem aumentado a velocidade, a densidade e a complexidade das tarefas, em vez de reduzir o volume de trabalho.
O cenário desmente uma das maiores promessas da IA: a de que a tecnologia libertaria os trabalhadores de tarefas burocráticas para que pudessem se dedicar a atividades mais criativas e estratégicas.
Os resultados dos estudos, divulgados pelo Wall Street Journal, baseiam-se na análise da atividade digital de 164 mil profissionais, totalizando mais de 443 milhões de horas em 1.111 empresas. O volume de informações torna este um dos maiores estudos já realizados sobre o impacto da IA nos hábitos laborais.
Ao comparar o comportamento dos usuários 180 dias antes e depois da adoção de ferramentas de IA, a ActivTrak identificou um aumento de intensidade em quase todas as atividades. Como exemplos, foi constatado que o tempo dedicado a e-mails, aplicativos de mensagens e chats mais que dobrou, bem como um aumento de 94% no uso de aplicativos de gestão.
Para Gabriela Mauch, executiva da ActivTrak, o problema não é a falta de eficácia da tecnologia, mas como o tempo ganho é utilizado: “Não é que a inteligência artificial não crie eficiência. O que ocorre é que a capacidade que ela libera é imediatamente redirecionada para a realização de outros trabalhos, gerando o aumento da carga”, disse Mauch.
É uma situação similar à que vivemos quando os computadores pessoais chegaram às empresas, quando expectativas similares também não se tornaram realidade.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




