
Os apreciadores de cerveja passaram a ter mais um motivo de preocupação: os hackers, que praticamente paralisaram a produção da maior cervejaria do Japão e que podem voltar a atacar, inclusive aqui no Brasil.
Vivaldo José Breternitz (*)
O Japão, quarta maior economia do mundo enfrentou um período turbulento, com bares, restaurantes e lojas de bebidas lidando com a escassez da Asahi, a cerveja mais consumida no país, detentora de cerca de 40% do mercado. O ciberataque paralisou a produção e as entregas por duas semanas.
O ataque reivindicado pelo grupo russo Qilin forçou o fechamento de seis fábricas e outras 30 instalações da Asahi, como escritórios e centros de distribuição. Os hackers paralisaram os sistemas da empresa, exigindo pagamento de resgate para liberação.
Com os computadores fora de operação, a companhia recorreu a processos manuais, tentando minimizar o impacto dos ataques, pois a interrupção tornou impossível manter o fluxo normal de distribuição. Em apenas dois dias, os pontos de venda ficaram sem estoque e a cerveja favorita dos japoneses deixou de ser servida em restaurantes e lanchonetes. A Asahi também ficou sem acesso a e-mails e a divulgação dos seus resultados trimestrais precisou ser adiada.
Além de cerveja, a Asahi produz refrigerantes, alimentos e outras bebidas alcoólicas. O ataque afetou apenas o Japão; suas operações europeias, que incluem marcas como Peroni, Pilsner Urquell, Grolsch e Fuller não foram impactadas; as perdas com a paralisação foram estimadas em US$ 335 milhões. Em duas semanas as fábricas foram reabertas, embora operando com capacidade reduzida em função no impacto na logística.
Bem ao estilo japonês, o presidente da Asahi, Atsushi Katsuki, disse que “gostaria de expressar minhas mais sinceras desculpas por qualquer dificuldade causada aos nossos parceiros pela recente interrupção do sistema. Agradecemos sua compreensão e apoio”.
Como dissemos, os apreciadores de cerveja devem ficar preocupados – se uma gigante como a Asahi pode sofrer um impacto desse porte, outras cervejarias também podem ser vítimas…
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




