
Em agosto passado, equipes de cibersegurança da Guarda Costeira dos Estados Unidos e do FBI subiram a bordo de dois petroleiros que navegavam pelo golfo do México rumo àquele país.
Vivaldo José Breternitz (*)
Segundo o portal TechCrunch isso aconteceu após relatos de que hackers haviam assumido o controle dos sistemas de navegação, propulsão e carga de ao menos uma dessas embarcações, com as equipes pretendendo assegurar a integridade desses sistemas e garantir a segurança das tripulações, das embarcações e de sua carga.
O episódio expõe a vulnerabilidade de petroleiros e da cadeia logística global a ataques cibernéticos. Esses navios operam com sistemas e redes complexos que controlam desde a navegação até a organização da carga e o funcionamento dos serviços essenciais para a operação.
A CBS News identificou um dos navios como o VL Prosperity, petroleiro de 333 metros de comprimento, capaz de transportar mais de 2 milhões de barris de petróleo e que viajava do Egito aos EUA. Além do comprometimento de seus sistemas de controle, o navio também ficou sem comunicação por mais de um dia.
Ainda não está claro quem está por trás da ação, mas autoridades americanas investigam um possível envolvimento do Irã. Desde o início da guerra liderada pelos EUA e Israel contra Teerã, que resultou na morte do líder supremo iraniano em fevereiro, hackers ligados ao regime dos aiatolás têm intensificado ataques digitais. Entre os alvos recentes estão a fabricante de dispositivos médicos Stryker, o sistema de transporte público de Los Angeles e mais de cem instalações de abastecimento de água nos EUA.
Apesar da gravidade do ataque, comunicado conjunto do FBI e da Guarda Costeira ressaltou que não aconteceram “interrupções operacionais, instabilidade das embarcações, riscos físicos às tripulações ou impactos ambientais”.
Desta vez foi assim, mas da próxima…
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



