
O bloqueio do Estreito de Ormuz pode provocar crise energética e de insumos em Taiwan, centro global da produção de chips.
Vivaldo José Breternitz (*)
À medida em que a guerra se estende, o bloqueio do estreito tornou-se um gargalo para o comércio internacional. Navios que transportam petróleo e gás natural liquefeito (GNL) estão bloqueados, e Taiwan, responsável pela fabricação dos chips mais avançados do mundo, já sente os efeitos da crise.
A ilha importa 97% da energia que utiliza, sendo que 37% do combustível vem do Oriente Médio. O fornecimento contínuo de GNL é essencial para manter em operação as fábricas da TSMC, a gigante que produz todos os chips da Nvidia, incluindo GPUs voltadas para inteligência artificial.
Além da energia, o hélio é outro insumo crítico para a indústria de chips. O Catar responde por um terço da oferta mundial, e qualquer instabilidade na região pode comprometer o abastecimento. Embora autoridades taiwanesas afirmem que os estoques de GNL e petróleo estejam garantidos até maio, e o mercado estime que algumas semanas adicionais de GNL estão a caminho da ilha, provavelmente a preços elevados, uma escalada da guerra e atrasos prolongados nas entregas poderiam trazer sérias consequências.
Analistas alertam que esses atrasos poderiam levar os fabricantes a priorizar chips de maior margem, como os voltados para IA, em detrimento de componentes menos lucrativos, como os utilizados em notebooks, smartphones e outros equipamentos de consumo. Isso agravaria a já delicada situação da cadeia global de suprimentos, pressionada pela explosão da demanda de inteligência artificial e pela alta nos preços de memória e GPUs.
Cabe lembrar que o conflito elevou os preços dos combustíveis ao redor do mundo, inclusive no Brasil, e o seu prolongamento deve tornar a situação cada vez pior.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




