
Depois de adquirir participações em fabricantes de chips e mineradoras de terras raras, o governo Trump volta sua atenção para outro setor estratégico: a computação quântica.
Vivaldo José Breternitz (*)
Em meados deste mês, o Departamento de Comércio anunciou um aporte de mais de US$ 2 bilhões em nove empresas da área. Em troca, o governo receberá uma “participação minoritária, sem poder de controle” em cada uma delas.
Os computadores quânticos, tecnologicamente completamente diferentes dos computadores atuais, têm potencial para revolucionar diversas indústrias; embora já existam protótipos em funcionamento, especialistas afirmam que a tecnologia ainda está distante de atingir sua maturidade.
Do ponto de vista dos usuários, sua altíssima velocidade é a característica que mais os diferencia dos supercomputadores atuais.
Essa característica poderia ajudar a expandir os limites atuais do conhecimento científico, por exemplo, abrindo caminho para descobertas na área da saúde que levariam décadas em condições normais.
Mas também há riscos: máquinas quânticas poderiam quebrar todos os atuais sistemas de criptografia, ameaçando todo o mundo digital, trazendo o caos à sociedade, o que aconteceria no que vem sendo chamado “Q-Day”. Há divergências sobre quando esse dia chegará: o Google estima que poderá ser já em 2029, enquanto outros pesquisadores acreditam que ainda levará algumas décadas.
Ao falar sobre os investimentos do governo americano, o Departamento de Comércio destacou o potencial da tecnologia para o desenvolvimento de novos materiais, biofármacos e sistemas energéticos, além de suas “implicações significativas para a defesa nacional”.
Metade do investimento será destinada à IBM; outras empresas receberão investimentos menores, dentre as quais a PsiQuantum, que tem como investidor o fundo 1789 Capital, de Donald Trump Jr. Esse fato já foi alvo de questionamentos de senadores democratas.
A intervenção direta em setores estratégicos tornou-se marca da administração Trump, que busca fortalecer indústrias consideradas vitais para a segurança nacional e a competição com a China. A estratégia começou em agosto passado, quando o governo se tornou o maior acionista da Intel, com 10% de participação. Logo depois, foram anunciados investimentos em mineradoras de terras raras, incluindo a startup Vulcan Elements, também apoiada pelo fundo de Trump Jr.
Quanto ao Brasil, o avanço americano na computação quântica coloca-nos diante de um dilema: correr para não ficar muito para trás ou aceitar uma posição periférica na nova ordem tecnológica – é algo similar ao que vem acontecendo com a inteligência artificial.
Para que possamos nos inserir nesse jogo, precisamos de visão estratégica e investimentos consistentes, o que, convenhamos, tem sido raro no Brasil.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
Drones tentam provocar chuvas na China – Jornal Empresas & Negócios


