
O governo Trump vem tomando medidas estapafúrdias, sendo a última delas a proibição do uso de termos ligados à preservação do meio ambiente.
Vivaldo José Breternitz (*)
O Departamento de Energia dos Estados Unidos, órgão de nível ministerial, instituiu uma extensa lista de palavras proibidas, incluindo algumas que não tem qualquer conotação política.
A lista dos termos proibidos foi enviada ao Escritório de Eficiência Energética e Energias Renováveis (EERE), órgão do Departamento de Energia. “Por favor, assegurem-se de que todos em sua equipe estejam cientes de que esta é a versão mais recente da lista de palavras a evitar”, escreveu a assessora do Departamento de Energia Rachael Overbey, no email que encaminhou a lista; Overbey tem uma longa experiência na indústria de petróleo.
Entre os termos vetados estão: mudança climática, verde, descarbonização, transição energética, sustentabilidade, sustentável, subsídios, incentivos fiscais, créditos tributários e pegada de carbono. Também entrou na lista a palavra “emissões”, que, de acordo com o email, transmitiria uma conotação negativa. Vale lembrar que, em 2007, a Suprema Corte americana determinou que gases de efeito estufa não são apenas “emissões”, mas sim poluentes.
Criado nos anos 1970, em resposta à crise do petróleo de 1973, o EERE tinha como objetivo promover energias renováveis e eficiência energética para proteger a economia americana contra choques de preços de produtos como petróleo e gás. A administração Trump, porém, optou por apostar na expansão do uso dessas fontes fósseis.
Em discursos e comunicados oficiais, a Casa Branca tem chamado qualquer iniciativa de transição energética de “farsa da energia verde”. Recentemente, em discurso na ONU, Trump atacou os países que investem em tecnologias como energia solar e eólica dizendo que os mesmos irão fracassar.
Apesar da retórica, os investimentos globais em energia renovável atingiram um novo recorde no primeiro semestre de 2025, como mostra o aumento dos investimentos em energia eólica offshore e em energia solar em pequena escala, que cresceram 10% em relação ao ano anterior, alcançando US$ 386 bilhões, segundo dados da Bloomberg.
Parece que os americanos trocaram um possível presidente senil por um tresloucado…
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].




