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Governança Adaptada: Vantagem Competitiva das Startups

em Tecnologia
sexta-feira, 26 de setembro de 2025

As startups são fundamentais para a economia brasileira, celeiro de inovação, desenvolvimento tecnológico e geração de empregos. No entanto, nesse ecossistema acelerado, a taxa de mortalidade é significativa: 25% fecham antes de completar o primeiro ano. Assim, a adoção de mecanismos de governança corporativa são essenciais para continuidade e adaptabilidade destas empresas. 

Longe de ser um monstro burocrático, restrito às grandes empresas, a governança é elástica, com premissas que se adaptam ao ciclo de vida, evitando que a agilidade não se transforme em caos. Para adotar práticas de governança, é importante derrubar mitos que afastam os empreendedores, não é privilégio de grandes corporações, tampouco um pacote fechado de regras; pelo contrário, funciona como uma caixa de ferramentas, onde a startup escolhe os mecanismos adequados para seu momento. 
O sucesso para boa governança está na implementação evolutiva e adaptada. O ciclo de vida das Startups possui 4 fases principais: 

Ideação primeira fase, período em que a empresa desenvolve a idéia até a primeira venda, a governança é essencialmente “combinar o jogo antes de entrar em campo”. Enquanto o time se apaixona pelo problema que resolve dos clientes – e não pelo produto em si – , a implementação do acordo de sócios é fundamental ao estabelecer responsabilidades,  prevenindo conflitos que, muitas vezes, inviabilizam mais negócios que a concorrência.  

Entrando na fase de validação, onde os produtos e serviços são testados com as primeiras vendas, a governança ganha corpo. A formalização de processos financeiros – operacionais, contração das primeiras lideranças e atenção à propriedade intelectual criam base de confiança para clientes, fornecedores e investidores.  

Quando a empresa alcança a tração, o produto está estável e o principal objetivo é conquistar mercado, atraindo o olhar atento de investidores de capital de risco. Neste ponto, métricas como custo de aquisição de clientes e adequação do produto ao mercado são observadas, a governança se torna requisito para para aportes de capital. Adoção de gestão de riscos, implementação de conselho consultivo e a formalização dos direitos de investidores sinalizam um porto seguro para aportes financeiros. 

Finalmente a fase escala, momento em que a startup está consolidada, com receitas crescentes e processos eficientes, tornando uma empresa sustentável e preparada para expansão. Aqui a governança atinge seu nível máximo de sofisticação, com prestação de contas em tempo real e plano de sucessão são requisitos. Instituir um conselho de administração, com membros independentes, realização de auditorias externas e a preparação da empresa para novas rodadas de investimento ou abertura de capital.

Adoção dos mecanismos de governança de forma faseada, adaptada ao momento do negócio, transforma o que seria um entrave em vantagem competitiva. A governança sustenta a eficiência e relevância da execução do planejamento estratégico, validando o modelo de negócio bem como o crescimento sustentável de forma transparente impactando no valor da empresa ao longo prazo. 

(Fonte: Roberto Ventura é Mestre em Governança Corporativa UNIFESP-FMU | Head de Governança & PMO | Associado IBGC | Membro Comissão Risco Board Academy. Leonardo Fabris Lugoboni é Doutor em Administração pela Universidade de São Paulo. Professor do Mestrado em Contabilidade da FECAP. Professor do Mestrado profissional em Governança Corporativa da Universidade Federal de São Paulo/ FMU.