350 views 3 mins

Google e SpaceX conversam sobre data centers no espaço

em Tecnologia
quinta-feira, 14 de maio de 2026

O Google e a SpaceX estão em negociações objetivando desenvolver o Projeto Suncatcher, que tem como objetivo final colocar data centers voltados à inteligência artificial em órbita da Terra, informou o Wall Street Journal.

Vivaldo José Breternitz (*)

Google e SpaceX possuem um histórico de cooperação: a gigante das buscas investiu US$ 900 milhões na empresa aeroespacial em 2015. A potencial parceria surge em um momento estratégico para a empresa de Elon Musk, que se prepara para um IPO envolvendo valores próximos a US$ 1,75 trilhão, ainda este ano.

Embora Musk diga que data centers no espaço terão custos operacionais reduzidos e que seus lançamentos não enfrentarão as resistências que a construção de novas estruturas como essas em terra vem enfrentando, o setor permanece dividido: relatórios recentes publicados pelo portal TechCrunch indicam que centros de dados terrestres ainda são significativamente mais baratos que os orbitais.

Apesar disso, os líderes de ambas as empresas tratam a migração para o espaço como algo inevitável: Sundar Pichai, CEO do Google, afirmou em entrevista que em uma década os data centers orbitais serão vistos como algo “normal”.

No entanto, outros profissionais da área demonstram ceticismo quanto à possibilidade de que esses data centers no espaço sejam algo “normal”, citando problemas como o fato de que chips de inteligência artificial em órbita sofrerão interferências provindas da radiação cósmica que podem comprometer seu funcionamento, dificuldades para dissipação do calor, pois no vácuo, resfriar equipamentos é algo extremamente complexo e também o impacto ambiental, pois o lançamento de um grande número de satélites em órbita baixa pode prejudicar a atmosfera terrestre e comprometer a segurança de outros satélites e naves espaciais tripuladas.

Mesmo com os obstáculos, o Google está trabalhando no projeto de seus data centers espaciais, tendo como meta lançar um protótipo 2027.

Isso sinaliza que a disputa pela infraestrutura da inteligência artificial acaba de ganhar uma nova fronteira: a órbita da Terra.

(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

No coração da turbina eólica, o data center: A hora e a vez da economia digital “limpa” – Jornal Empresas & Negócios