
Em nossa vida pessoal, o uso da tecnologia digital e das redes sociais para comunicação traz vantagens impensáveis até poucos anos atrás, como conversar vendo a imagem de alguém que está muito longe ou compartilhar fotos de entes queridos.
Vivaldo José Breternitz (*)
Por outro lado, esse uso também facilita a ação de criminosos, que buscam aproveitar-se de descuidos e do medo gerado em pessoas que expõem suas vidas nas redes.
Em fevereiro, o FBI emitiu um alerta sobre uma nova tática que utiliza fotos publicadas em redes sociais para extorquir usuários. Criminosos capturam imagens de entes queridos, como filhos, pais ou parceiros, e as manipulam digitalmente para simular situações de perigo. Com isso, tentam enganar as vítimas, fazendo-as acreditar que o familiar foi sequestrado e, em seguida, exigem pagamento de resgate.
Esse crime explora a preocupação com a segurança da família. Geralmente o pedido chega via SMS, com mensagens agressivas e imagens programadas para desaparecer rapidamente, impedindo sua análise detalhada.
O FBI recomenda que, ao receber ameaças desse tipo, as pessoas mantenham a calma, pois o pânico é a principal ferramenta usada pelos criminosos para forçar um pagamento rápido.
Além disso, há outras recomendações, como tentar contato imediato com a pessoa que aparece na foto para confirmar seu paradeiro e analisar a imagem em busca de inconsistências. Fotos manipuladas digitalmente costumam apresentar distorções de proporção, características físicas alteradas ou detalhes que parecem “fora do lugar”.
Também se recomenda registrar evidências, tirando um print da tela antes que a mensagem desapareça, e criar uma “palavra-chave”: as famílias devem estabelecer um código secreto conhecido apenas entre seus membros, para validar comunicações em emergências.
Especialistas alertam ainda que, caso um familiar esteja realmente desaparecido, a publicação de informações pessoais em redes sociais pode atrair golpistas oportunistas.
Qualquer golpe ou tentativa deve ser comunicada às autoridades policiais, mencionando todas as informações possíveis, como números de telefone, fotos enviadas e dados de pagamento. Essas informações são vitais para o esclarecimento e a prevenção de crimes.
Todas essas recomendações são validas também no Brasil. Além disso, continua valendo a velha recomendação: informações pessoais, especialmente fotos, não devem ser compartilhadas em redes públicas.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].

