
A Geração Z é a formada por pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e início dos anos 2010.
Vivaldo José Breternitz (*)
À medida que os últimos representantes da Geração Z passam pelo ensino médio e ingressam em universidades, professores de ensino superior relatam uma preocupante queda nas suas habilidades em termos de compreensão de textos. Diante desse cenário, muitas instituições têm recorrido a uma solução drástica: reduzir significativamente o nível de seus cursos.
A professora da Pepperdine University, Jessica Hooten Wilson, afirmou em entrevista à revista Fortune que o problema vai além incapacidade de pensar de forma crítica. “Não é sequer uma incapacidade de pensar criticamente. É uma incapacidade de entender frases”, disse. A professora admite ter reduzido suas exigências acadêmicas diante da chegada de estudantes que mal conseguem lidar com textos básicos. Enquanto professor universitário, pensamos e agimos de forma similar.
O professor da Universidade de Notre Dame, Timothy O’Malley, também observa mudanças significativas. Ele lembra que, no passado, era comum atribuir entre 25 e 40 páginas de leitura por aula. Hoje, essa prática seria “impensável”, pois segundo ele, muitos estudantes recorrem a resumos gerados por inteligência artificial e tem passado pela escola sem muito incentivo à leitura.
Especialistas apontam que a responsabilidade não é apenas dos jovens. O sistema educacional enfrenta sérias falhas, agravadas pela pandemia de COVID-19, além de uma cultura cada vez mais voltada para vídeos e conteúdos audiovisuais em detrimento da leitura.
A crise da Geração Z reflete uma tendência mais ampla. Nos últimos 20 anos, o número de adultos que leem por lazer nos Estados Unidos caiu 40%. Além disso, levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Competências de Adultos (PIAAC) revelou que 59 milhões de americanos estão no patamar mais baixo de nível de leitura, em uma escala de cinco níveis.
O cenário sugere que, sem reformas estruturais profundas no sistema educacional, a Geração Z dificilmente será a última a apresentar índices de alfabetização piores do que os de seus antecessores, nos Estados Unidos e no Brasil.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].


