
Mais de 200 economistas, pesquisadores e executivos, entre eles 16 vencedores do Prêmio Nobel, emitiram um manifesto alertando que a inteligência artificial pode transformar a economia em uma velocidade e escala sem precedentes, para o bem ou para o mal.
Vivaldo José Breternitz (*)
O documento pede que governos e formuladores de políticas ajam rapidamente para mitigar os impactos dessa transformação. Intitulado “We Must Act Now” (Precisamos agir agora), o manifesto é curto e direto, prevendo que “a IA pode se tornar radicalmente mais poderosa nos próximos dez anos” e que a aceleração de suas capacidades “poderia impulsionar uma transformação inédita da economia, maior que a Revolução Industrial, mas em um período muito mais curto”.
Entre os riscos apontados estão o “deslocamento em larga escala de empregos”. Ao mesmo tempo, os signatários destacam possíveis “oportunidades”, como “grandes avanços nos padrões de vida”. No entanto, alertam que nem os riscos nem os benefícios poderão ser administrados se líderes políticos, governamentais e empresariais não se mobilizarem já para compreender o impacto da IA sobre a força de trabalho.
“Economistas, formuladores de políticas e líderes tecnológicos devem agir agora para entender a economia da IA transformadora”, afirma o texto, “e construir os incentivos, salvaguardas e instituições necessárias para direcionar a tecnologia em benefício da sociedade”.
Entre os signatários estão nomes de peso como os professores do MIT Daron Acemoglu e Simon Johnson, o economista da NYU Michael Spence, o ex-CEO do Google Eric Schmidt, a ex-pesquisadora da OpenAI Zoë Hitzig, a atual CFO da OpenAI Sarah Friar e Jack Clark, cofundador da Anthropic.
O manifesto não apresenta soluções concretas; seu objetivo é mais conscientizar toda a sociedade sobre a dimensão do desafio que pode ter que vir a ser enfrentado. Como destacou o New York Times, o aspecto mais notável é a diversidade intelectual dos signatários, daqueles que preveem mudanças radicais, àqueles que duvidam da capacidade da IA de transformar o mercado de trabalho.
O economista de Stanford Erik Brynjolfsson, que ajudou a organizar o manifesto, disse que acontecerão mudanças de muito grande porte, afirmando temer “não estarmos prontos para o tsunami que vem aí.” Acemoglu, por sua vez, disse que “se olharmos para o que os robôs fizeram na indústria manufatureira, e a IA repetir isso em um período mais curto, o impacto será profundamente disruptivo e custoso para a subsistência das pessoas.”
Mudanças já estão em curso. O mercado de trabalho enfrenta turbulências, seja pela substituição real de empregos ou pelo uso da IA como justificativa para cortes. Jovens profissionais encontram dificuldades para ingressar no mercado, enquanto a indústria de tecnologia vem passando por demissões em massa ligadas a reestruturações focadas em IA.
Relatórios recentes sugerem que também trabalhadores mais velhos podem estar sendo empurrados para fora, embora outros estudos afirmem que o impacto da IA sobre empregos ainda é limitado.
Independentemente do cenário futuro, os especialistas são categóricos: este não é o momento de ficar parado, e isso vale para toda a sociedade.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].
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