
Um novo estetoscópio, dotado de inteligência artificial, é capaz de diagnosticar insuficiências e arritmias cardíacas, além de problemas nas válvulas, em apenas 15 segundos.
Vivaldo José Breternitz (*)
Desde que foi inventado em 1816 por René Laennec, um médico francês, o estetoscópio praticamente não sofreu modificações e tem sido uma ferramenta essencial para profissionais de saúde. Agora, uma equipe do Imperial College, de Londres, desenvolveu uma versão de alta tecnologia, com recursos de inteligência artificial, que pode trazer grandes progressos à área, especialmente viabilizando diagnósticos precoces.
O novo aparelho pode analisar diferenças minúsculas nos batimentos cardíacos e no fluxo sanguíneo, que são indetectáveis para o ouvido humano, mesmo usando um estetoscópio tradicional. O novo aparelho também consegue fazer eletrocardiogramas rapidamente. Os detalhes dessa inovação foram apresentados no congresso anual da Sociedade Europeia de Cardiologia em Madrid, realizado no final de agosto.
O diagnóstico precoce de insuficiência cardíaca, problemas nas válvulas cardíacas e arritmias é extremamente importante, ao permitir que pacientes recebam o tratamento adequado antes que seu estado de saúde se agrave.
Um estudo que testou o novo estetoscópio em cerca de 12 mil pacientes do Reino Unido mostrou resultados promissores. Pacientes examinados com a nova tecnologia tiveram o dobro de chances de serem diagnosticados com insuficiência cardíaca, em comparação com aqueles que não foram examinados com o aparelho.
Além disso, a probabilidade de um diagnóstico de fibrilação atrial, uma arritmia que aumenta o risco de AVC, foi três vezes maior. O diagnóstico de doenças nas válvulas cardíacas, que ocorrem quando uma ou mais válvulas não funcionam corretamente, foi quase duas vezes mais eficiente.
O estetoscópio, fabricado pela empresa californiana Eko Health, tem o tamanho de um cartão de crédito. Ele é posicionado no peito do paciente para registrar os sinais elétricos do coração, praticamente um eletrocardiograma e os sons gerados pelo fluxo sanguíneo. As informações coletadas são enviadas à nuvem, onde algoritmos de IA analisam os dados e detectam problemas sutis que o ouvido humano não conseguiria. O resultado, indicando se o paciente tem risco para alguma das três condições, é enviado para um smartphone.
“O design do estetoscópio permaneceu inalterado por 200 anos”, disse o Dr. Patrik Bächtiger, do Imperial College London. “É incrível que um estetoscópio inteligente possa ser usado para um exame de 15 segundos e que a IA possa rapidamente indicar se o paciente tem insuficiência cardíaca, fibrilação atrial ou doença na válvula cardíaca.”
“A maioria das pessoas com insuficiência cardíaca só é diagnosticada quando chega ao pronto-socorro em estado grave”, afirmou o Dr. Mihir Kelshiker, também do Imperial College. “Este estudo mostra que estetoscópios com IA podem mudar essa realidade, dando aos médicos uma ferramenta rápida e simples para identificar problemas mais cedo, para que os pacientes recebam o tratamento correto o quanto antes.”
Sem dúvida, trata-se de um uso positivo da inteligência artificial.
(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor e consultor – [email protected].
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