
A ideia de militarizar o espaço começou a tomar corpo no início da corrida espacial, mas até agora os Estados Unidos nunca haviam reconhecido terem armas além da atmosfera.
Vivaldo José Breternitz (*)
Mais isso mudou: o secretário da Força Aérea, Troy Meink, durante a conferência Air, Space and Cyber, afirmou que os EUA já têm armas em órbita para se defender de ações hostis, sem descer a detalhes acerca desse armamento.
A declaração representa uma mudança significativa na postura americana, após décadas de competição e cooperação pacífica no espaço; o anúncio é visto como um recado a China e Rússia, acusadas por Washington de desenvolver tecnologias militares capazes de ameaçar satélites e outras estruturas em órbita.
Moscou já alertou que satélites usados na defesa da Ucrânia, como os da rede Starlink, seriam considerados alvos legítimos. Serviços de inteligência da OTAN afirmaram que a Rússia e a China estariam testando métodos para ataque a satélites em órbita e para defesa de seus próprios.
Apesar do impacto político, especialistas avaliam que o anúncio americano não viola o Tratado do Espaço Exterior, em vigor desde 1967. Esse instrumento proíbe armas nucleares ou de destruição em massa em órbita, mas não menciona armamentos convencionais.
Paralelamente às tensões militares, a Lua voltou ao centro da disputa envolvendo países e empresas privadas. Projetos de uma futura “economia lunar” incluem estruturas permanentes, centros de dados, usinas geradoras de energia e infraestrutura para exploração.
Em resumo: os EUA cruzaram uma linha simbólica ao admitir armas em órbita, reforçando a militarização do espaço e ampliando a disputa estratégica com China e Rússia, num momento em que a Lua desponta como palco da próxima fase da corrida espacial; desta vez o objetivo não é apenas chegar ao nosso satélite, mas sim estabelecer-se ali.
(*) Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – [email protected].



